Drones e domínio do território

Por Sérgio Cabral

Enquanto isso, os criminosos se fortalecem com armamento pesado e até drones já são utilizados, como se estivéssemos na região de Donbass, no conflito Ucrânia/Russia.

Fico impressionado com aqueles que tentam buscar soluções para a segurança pública, alheios por burrice ou má fé ao ponto fundamental: o domínio territorial por parte do tráfico ou da milícia. Enquanto isso, os criminosos se fortalecem com armamento pesado e até drones já são utilizados, como se estivéssemos na região de Donbass, no conflito Ucrânia/Russia.

Ouço, estupefato, tentativas de explicações para a derrocada do melhor programa de segurança pública da história do Rio, as UPPs.

Ora bolas! Ele claudicou porque não houve continuidade. Qualquer projeto de Estado ou de empresa precisa de continuidade, de checagem constante, de aperfeiçoamento.

Mais que dobramos o efetivo das forças policiais, investimos em formação, construímos o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), a Cidade da Polícia, terceirizamos a manutenção de toda a frota da Polícia Militar, recuperamos o poder aquisitivo dos nossos profissionais, fizemos planos de metas com bônus semestrais, despolitizamos a escolha de todos os comandos.

Vamos aos fatos. Meu governo se iniciou em janeiro de 2007, a primeira Unidade de Polícia Pacificadora foi implantada em dezembro de 2008, na favela Santa Marta, em Botafogo. O objetivo era retomar o controle permanente da comunidade dominada por grupo criminoso, substituindo operações policiais esporádicas por policiamento de proximidade.

Em fevereiro de 2009 recuperamos a Cidade de Deus em Jacarepaguá e o Batan em Realengo, em junho o Chapéu Mangueira e Babilônia no Leme e, em dezembro, as favelas do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo em Copacabana/Ipanema.

Em janeiro de 2010 devolvemos a paz aos moradores do Tabajaras e Cabritos em Copacabana/Botafogo/Lagoa, em abril recuperamos o Morro da Providência no Centro do Rio. Entre junho e novembro devolvemos a paz aos moradores da Tijuca, Grajaú, Vila Isabel e bairros vizinhos com as UPPs do Borel em junho, Formiga e Andarai em julho, Salgueiro em setembro, Turano em outubro e Macacos em novembro.

No ano de 2011 iniciamos em janeiro a retomada do território das favelas São João, Matriz e Quieto, com isso devolvemos a paz aos moradores dessas comunidades e aos que moravam no Engenho Novo, Sampaio e Méier. Em fevereiro foi a vez de pacificar as favelas do Escondidinho e Prazeres, em Santa Teresa. Em maio recuperamos a favela do São Carlos para os seus moradores e para quem morava no Estácio e Cidade Nova. Em novembro as forças de segurança recuperaram a minha amada Mangueira. Demos paz aos seus moradores e bairros vizinhos.

Em janeiro de 2012 demos paz aos moradores das favelas do Vidigal e Dois Irmãos e aos moradores do Leblon.

Vale destacar que em dezembro de 2010, em parceria com as Forças Armadas, recuperamos a paz para milhares de moradores das favelas dos Complexos do Alemão e da Penha. Em 2012, realizamos uma passagem gradual do Exército para a implantação das UPPs nas favelas que compõem os dois complexos: Nova Brasília e Fazendinha (18/04), Adeus e Baiana (11/05), Alemão (30/05), Chatuba (27/06), Fé e Sereno (27/06), Parque Proletário e Vila Cruzeiro (28/08). A pacificação dos dois Complexos impactou os bairros de Irajá, Vista Alegre, Bonsucesso, Olaria, Penha, Penha Circular, Vila da Penha, Ramos, entre outros. Em setembro de 2012 recuperamos a paz para os milhares de moradores da Rocinha e de São Conrado, com a implantação das UPPs em diversos pontos da favela.

Iniciamos 2013 com a pacificação do Complexo do Jacarezinho, em janeiro, o que trouxe tranquilidade a diversos bairros da zona norte. As favelas da Barreira do Vasco, meu amado clube, e Tuiuti tiveram suas UPPs implantadas em abril, o que gerou um grande impacto positivo no bairro de São Cristóvão. No mesmo mês entramos na favela do Caju. Devolvemos a paz aos seus moradores, às empresas de logística que trabalham na retroárea do Porto e aos que vão enterrar ou visitar os túmulos de seus entes queridos nos cemitérios do bairro. Em junho foi a vez dos moradores da favela do Cerro Corá conquistarem a paz com benefícios para os que moravam no Cosme Velho e Laranjeiras. A Zona Norte voltou a ser fortemente beneficiada durante todo o segundo semestre de 2013 com as UPPs nas favelas do Complexo de Manguinhos, como também nas favelas do Lins e Camarista Méier.

Em 2014, no mês de março, entramos e pacificamos o Complexo de favelas da Vila Kennedy, na Zona Oeste. Nesse mesmo mês, em parceria com as Forças Armadas, realizamos a tomada do Complexo da Maré.

No dia 4 de abril de 2014 passei o governo para o vice-governador Pezão.

Ao finalizar esse artigo, sugiro aos que destilam bobagens ao afirmar que faltou investimento social nas favelas pacificadas, ouvir moradores que viveram esse período nas favelas e bairros beneficiados pelas UPPs. Perguntem se foram implementadas políticas públicas nas áreas da educação com creches, escolas, colégios e ensino técnico; se houve a inauguração de Clínicas da Família e UPAs 24h, se houve construção de moradias, urbanização de ruas e vielas, se houve investimento em mobilidade, no empreendedorismo com financiamentos a juros irrisórios, se houve a chegada de supermercados, agências bancárias, praças e quadras de esportes, entre tantas outras iniciativas. Perguntem aos moradores que viveram essa época se seus imóveis nas favelas pacificadas e nos bairros vizinhos foram valorizados.

Depois de 12 anos de descaminho na política de segurança pública, peço a Deus que o próximo governador tenha a retomada dos territórios perdidos para o traficantes e milicianos como prioridade máxima.