Ciro Gomes visto e desconhecido

Por Aristóteles Drummond

Um dos mais conhecidos políticos em atividade no Brasil é o candidato a governador do Ceará Ciro Gomes, que se elegeu deputado estadual em 1982 pela primeira vez. Desde então não sai do noticiário político, tendo ocupado cargos de deputado federal, prefeito eleito de Fortaleza, governador eleito do Ceará e ministro de Estado, além de ter sido candidato a presidente quatro vezes.

Ciro Gomes é brilhante como orador, homem culto, preparado, estudioso, conhece economia pontualmente, mas talvez tenha uma visão deturpada do processo de crescimento econômico e social sem a mão do Estado. E tem passagem pela livre empresa como consultor de Benjamim Steinbruch.

Agora deve voltar a governar o Ceará, que vive hoje um caos nas contas e na segurança pública. Bem avaliado no estado, Ciro nunca esteve envolvido em suspeições que possam envolver ganhos pessoais. E numa fase tão pobre de políticos com este capital, é lamentável que um político que consegue estar nas mídias tanto tempo, sem poder ou dinheiro, mas apenas pelo seu valor, não tenha chegado lá. Vale, portanto, uma análise, especulativa como todas, sobre os motivos deste isolamento que rouba ao país um protagonista de bom nível.

Ciro tem temperamento difícil e mudou muito de partido. Começou muito jovem, como deputado estadual no PDS, no grupo liderado pelo ex-governador César Cals, ministro das Minas e Energia do governo Figueiredo e respeitado homem público.. Dali seguiu para o PMDB, depois acompanhou Tasso Jereissati na fundação do PSDB, mudou para o partido que sucedeu o partidão, foi para o PDT e agora voltou ao PSDB, embora não tenha dado sua palavra sobre a eventual candidatura de Aécio Neves na alternativa mais ao centro. Este ponto realmente é uma marca que gera insegurança nos políticos, que prezam muito a lealdade e a gratidão.

Outra marca é, mesmo com coragem e franqueza, usar demais a sua "metralhadora giratória" atacando a torto e a direito, o que gera rejeições obviamente. E, por fim, não se assume de centro ou centro-direita, que é o perfil do Ciro gestor, de sua visão da uma economia mais aberta e receptiva ao capital gerador de bons empregos e a visão de gestor de obras que atendam ao conjunto da sociedade, e não a aspirações paroquiais. Possui bom senso compatível com o interesse público, mas tem mania de dizer que é de esquerda quando até Lula afirma que nunca foi de esquerda.

Realmente a redemocratização não abriu para talentos, gente preparada e equilibrada, de espírito público, seja de direita, esquerda ou centro-democrático, que parece ser a cabeça da sociedade brasileira.

Que o exemplo de Ciro estimule novas gerações, como o pessoal do Novo, a fazer política como deve. Vivemos tempos que nem um político mineiro como Zema conhece a arte que fez o estado dominar o cenário nacional tanto tempo, diretamente ou através das grandes cabeças do parlamento.