Vai Começar
Sábado, dia 13 de junho, a seleção brasileira estreia na Copa do Mundo de 2026.
O jogo contra a seleção marroquina será o maior desafio do Brasil, no grupo C. Haiti e Escócia, a princípio, serão jogos mais tranquilos.
Nasci em janeiro de 1963. Minha primeira Copa do Mundo foi a de 1970. O melhor time da história. Não há no histórico das seleções de todos os países que participaram das edições de Copas do Mundo, alguma seleção que se compare ao escrete de 70.
O maior jogador do planeta em plena forma e com gana de vencer e encerrar o seu ciclo na seleção brasileira. Pelé se tornou tri campeão do mundo: 58, 62 e 70.
Nem o quadro tenso do regime militar, com o general Médici e seu governo assassinando e torturando militantes políticos, cassando parlamentares, expulsando do país mentes brilhantes, nada disso foi capaz de frear a alegria do povo brasileiro com o escrete de 70. Ou, como eram conhecidos até 3 meses da competição: "as feras do Saldanha".
João Saldanha é um dos grandes nomes do Brasil. Como técnico, jornalista, intelectual e militante político. Foi demitido a 3 meses do início da Copa do México, por não permitir que o general Médici interferisse na escalação da seleção, já que o militar era fã de futebol e, como ditador, se achava no direito de escalar quem quisesse no time. Saldanha disse que não se metia na escolha do ministério do ditador, e que esse não desse palpite na escalação da seleção brasileira.
Zagalo foi o escolhido para substituir João Saldanha. A escolha foi feliz. Mário Jorge Lobo Zagallo havia conquistado o bi campeonato mundial de 58, na Suécia, e 62, no Chile, como atleta. Tinha bagagem e experiência para aquele desafio. Como foi parceiro de Pelé, em campo, a sintonia dos dois foi fundamental para liderar o escrete rumo ao tri.
Ficamos, depois da Copa do México, 24 anos sem ser campeão. Vale o registro da Copa de 82, na Espanha, quando tínhamos a melhor seleção da competição com Zico e Cia, mas fomos abatidos pela Itália. Depois desse longo jejum, a seleção brasileira conquistou a Copa de 1994, nos Estados Unidos. Tínhamos um bom time, o técnico era o Parreira, que desde 70 com Zagalo, vivia o ambiente da seleção. Ganhamos nos pênaltis.
Em 2002, um excelente time venceu todas as partidas e teve uma final contra a Alemanha que consagrou Ronaldo Fenômeno como o grande nome brasileiro da Copa do Japão e Coreia do Sul.
Somos penta campeões do mundo. Nessa condição disputaremos essa Copa. Mas não somos a seleção número 1 do ranking da FIFA, cuja última edição foi de abril desse ano. Somos a 6ª colocada no ranking. A França é a número 1, seguida de Espanha, Argentina, Inglaterra, Portugal e aí sim, Brasil. E para confirmar o meu prognóstico de que teremos um difícil jogo no dia 13, nosso principal desafio no Grupo C, Marrocos é a sétima seleção no ranking da FIFA.
Portanto, é cruzar os dedos, confiar no talento, na união e foco dos nossos 26 jogadores e no currículo vitorioso do italiano Carlo Ancelotti.
PS: imperdível a minissérie "Brasil 70: A Saga do Tri", na Netflix.
*Jornalista. Instagram:
@sergiocabral_filho