A eleição ainda sem rumo

Por Paulo César de Oliveira*

Estamos a quatro meses das eleições presidenciais e ainda sem um rumo certo. A cada dia a reeleição de Lula para seu quarto mandato parece se consolidar, um feito inédito em nossa história, talvez no mundo democrático. É incrível o fato de Lula ter sido julgado, condenado, preso por mais de 500 dias e, absolvido em novo julgamento, ser reeleito pelo povo.

A primeira eleição de Lula, após três derrotas consecutivas para Fernando Collor (uma vez) e Fernando Henrique (duas vezes) foi em 2.002, reelegendo-se em 2006. Em 2017 foi condenado pelo juíz Sérgio Moro na Lava Jato, numa decisão controvertida. Cumpriu parte da sentença, foi solto e, em 2.022, foi eleito pela terceira vez e agora prepara-se para provavelmente se reeleger para um quarto mandato, na disputa radicalizada e ainda polarizada.

Seu principal adversário nesta polarização, Flávio Bolsonaro, foi atingido por Vorcaro, do Banco Master, com um tiro que se desenha mortal. Na terceira via da disputa aparecem os ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema, ambos com baixos índices de aceitação, mas que disputarão a vaga da direita na disputa caso Bolsonaro se inviabilize.

Nos estados, com raras exceções, a polarização ainda não está acirrada e há muitas indefinições quanto a candidaturas. Em Minas oficialmente, consolidada só a candidatura à reeleição do governador Mateus Simões em campanha há muito tempo, enquanto o líder nas pesquisas, o senador Cleitinho é candidatíssimo, apesar de não ter oficializado a candidatura pelo Republicano. Ele deverá ser o candidato apoiado pelo PL que também não tem um nome viável para a disputa, mas que deverá indicar como vice na chapa o empresário e ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, um nome de peso na política mineira. Já o PT está usando uma expressão bem mineira, "mais perdido do que cedo em tiroteio", sem um nome para segurar o palanque para Lula.

Aliás, o PT, apesar da força eleitoral de Lula no estado, sempre enfrentou dificuldades na disputa para o governo mineiro e apenas uma vez governou Minas, com Fernando Pimentel, de 2015 a 2019. As especulações políticas indicam que os petistas poderão apoiar o ex-procurador-geral da Justiça, Jarbas Soares Júnior, do PSB, ou até mesmo Gabriel Azevedo, do MDB, para dar um palanque a Lula. É acompanhar para ver, sem nos esquecermos de que Flávio Bolsonaro também ainda não tem palanque certo por aqui.

*Jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil