Entre o sonho do hexa e a responsabilidade do voto

Por Nei Carvalho

A convocação da Seleção Brasileira sempre provoca algo diferente no coração do povo. Basta surgir a lista oficial e o país parece parar por alguns instantes. As conversas mudam, as ruas ganham outro clima e renasce aquela esperança tão característica do brasileiro. Neste ano, a euforia foi ainda maior com o retorno de Neymar à Seleção. Para muitos, a presença do camisa 10 reacendeu o sonho do hexacampeonato e devolveu ao torcedor a confiança de que o Brasil pode novamente subir ao lugar mais alto do futebol mundial.

E não há problema algum em viver essa alegria. O futebol faz parte da identidade nacional. A Copa do Mundo une famílias, amigos, bairros e cidades inteiras em torno de um sentimento coletivo raro nos dias atuais. O Brasil tem no futebol uma de suas maiores paixões e o povo merece celebrar, sorrir e sonhar.

Mas 2026 também será um ano decisivo para o futuro político do país.

Enquanto milhões estarão atentos aos jogos da Seleção, o Brasil seguirá enfrentando desafios profundos na economia, na saúde, na segurança pública e na geração de empregos. Estados e municípios convivem diariamente com dificuldades financeiras severas. Em Petrópolis, por exemplo, a atual gestão do prefeito encontrou um cenário extremamente delicado nas contas públicas, situação que obrigou a decretação de calamidade financeira no município. Isso mostra que os problemas não são abstratos: eles chegam diretamente à vida das pessoas.

Por isso, é fundamental que a emoção da Copa não faça o eleitor perder a consciência da importância das eleições presidenciais e das escolhas políticas que serão feitas este ano. O mesmo povo que deposita esperança em Neymar para conquistar o hexa precisa também depositar atenção, responsabilidade e discernimento na escolha daqueles que ocuparão os cargos mais importantes da República.

O presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais terão influência direta no rumo econômico e social do Brasil pelos próximos anos. São decisões que impactam desde os grandes investimentos nacionais até a realidade dos municípios, afetando serviços públicos, infraestrutura, saúde e qualidade de vida da população.

O brasileiro tem o direito de vibrar com cada gol da Seleção. Tem o direito de vestir a camisa amarela, decorar as ruas e sonhar com o hexa. Mas também precisa entender que o futuro do país não será decidido apenas dentro das quatro linhas.

Se o Brasil conquistar o título, que a festa não apague a consciência cidadã. E se o hexa não vier, que a frustração esportiva também não desanime a população diante da necessidade de continuar acreditando no país.

A paixão pelo futebol pode unir o povo por noventa minutos. Já a responsabilidade do voto pode transformar o destino de uma nação por muitos anos.

Nei Carvalho é apresentador da TV Correio da Manhã e secretário de Turismo de Petrópolis.