Buracos na Economia

Por Aristóteles Drummond

Economistas, analistas, jornalistas e operadores de mercado parecem não ver um quadro altamente preocupante em nossa situação econômica e são cúmplices, no meu modesto entender, de uma versão longe da realidade.

A habilidade dos marxistas no poder vem gerando uma cortina de fumaça para ocultar a realidade e iludir a sociedade. Como é elementar se supor, as esquerdas querem destruir ou controlar o capitalismo e, no campo pessoal, procurar abrigo em lugares mais seguros como a União Europeia.

Como se considerar sólida uma economia em que a dívida pública não para de crescer, a carga fiscal leva a indústria a perder competitividade, assim como uma das maiores taxas de juros do mundo? E mais: como ter equilíbrio nas contas públicas com um quarto da população vivendo de auxílios sociais e estimulando a economia informal, que agrava o déficit da Previdência Social? É um país que promove campanhas de liquidação de dívidas da população mais vulnerável, com o intuito de abrir espaço para novas dívidas que mantenham ativo o consumo interno pelo menos até outubro.

É o caso de se perguntar se números do IBGE sob suspeição, empresas do agronegócio, em dificuldades comprovadas pelo número de pedidos de recuperação judicial, conglomerados vendendo ativos para pagar juros e investimentos travados podem marcar uma economia saudável.

Tudo indica que nos momentos de dificuldades na atividade produtiva se deve procurar trabalhar mais, mas, no Brasil de baixa produtividade, vão diminuir as horas semanais de trabalho e aumentar o ócio remunerado, onerando as folhas ou provocando dispensas em setores que empregam muito e pagam pouco.

Rentabilidade só no mercado financeiro, onde se ganha dinheiro emprestando ao governo e não no financiamento à produção. E o pouco que circula no setor privado apresenta taxas assustadoras de inadimplência nos cartões de crédito e nos serviços de eletricidade.

Fala-se muito na insegurança jurídica como inibidor do investimento, assim como uma Justiça do Trabalho e legislação que tornam o empregar um alto risco. Mas este ingrediente da falta de confiabilidade do conjunto de índices econômicos pode ser a gota d'água da estagnação com inflação.

E uma eleição em que um mau governo tenta permanecer no poder e uma oposição que não passa de um projeto familiar populista sem credibilidade e que, caso chegue ao governo, não tem preparo para administrar a crise inevitável.

O que houve com o Brasil, que até há pouco tinha outra qualidade de homens públicos?