Nísia Floresta - Pioneirismo Feminino (PARTE 2)
A vida de Nísia Floresta foi dedicada à luta pela emancipação da mulher por meio da educação. Colaborou com jornais, a partir de 1830, Recife, no jornal "Espelho das Brasileiras", mais um pioneirismo. Nele, ela publicou vários artigos a respeito da condição feminina, contos, poesias, novelas e ensaios, todos posteriormente publicados em periódicos no Rio de Janeiro.
Em 1832, publica seu primeiro livro (vide artigo anterior) e, logo depois a família se muda para Porto Alegre. No ano seguinte, o marido falece, tornando-a chefe de família, sustentando mãe, filha e duas irmãs. Na capital gaúcha, administrou e lecionou em uma escola de 1834 até 1837.
Com a revolução Farroupilha, Nísia e família mudam-se para o Rio de Janeiro, em 1838, e funda o Colégio Augusto, com propostas revolucionárias, à época, direcionado para a instrução de meninas. O projeto pedagógico mesclava o ensino tradicional feminino (focado no matrimônio e na maternidade) com conhecimentos de ciências, línguas, história, religião, geografia, educação física, artes e literatura, ofertando às moças uma educação equiparada aos melhores colégios masculinos. Usou o Jornal do Comércio para comunicar a inauguração do colégio na capital, onde funcionou por 17 anos.
Ela sofreu inúmeras críticas e perseguições por oferecer ensinamentos "desnecessários às mulheres, pois as corromperiam". Nada a fez desistir da luta. A partir de 1847, suas obras intensificaram a abordagem sobre educação, por acreditar que o estudo promoveria a emancipação feminina.
Por recomendação médica, Nísia deixa a direção do Colégio Augusto, em 1849, quando partiu para a Europa para tratar da saúde de sua única filha. De maio a junho de 1851, o jornal carioca "O Liberal" publicou uma série de artigos de Nísia, intitulados "A Emancipação da Mulher", abordando a relevância da educação feminina. Retorna ao país em 1852, e dedica-se à publicação de artigos sobre a condição feminina. Ainda com foco na questão pedagógica, em 1853, Nísia Floresta publicou seu livro "Opúsculo Humanitário", uma coleção de artigos sobre emancipação feminina e crítica às instituições escolares dirigidas por estrangeiros.
Nísia morou em diferentes cidades da Europa, publicou muitos artigos, ensaios e contos com diferentes pseudônimos, dificultando a formação de um acervo completo de sua obra. Ela escreveu muitos relatos de viagem; denunciou injustiças contra escravos e indígenas brasileiros; publicou relatos autobiográficos sobre infância, adolescência, casamentos e experiências pelo mundo. O eixo norteador de seu pensamento abrange qualidade de ensino, igualdade de gênero, número de escolas e acesso ao ensino pelas meninas, sempre influenciado pelas ideias liberais, e positivistas do grupo de Auguste Comte.
Nísia manteve firme seu pensamento acerca do poder desde a morte de seu pai: "Quanto mais ignorante o povo, tanto mais fácil é a um governo absoluto exercer sobre ele o seu ilimitado poder".
*Rosina Bezerra de Mello é doutoura em
estudos literários e professora