Nísia Floresta - Pioneirismo Feminino (PARTE 1)
Nísia Floresta Brasileira Augusta é pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto (1810-1885). Ela adotou Floresta por ser o nome do pedaço de terra da família, onde nasceu, município de Papari, atual Nísia Floresta, Rio Grande do Norte; Brasileira por amor ao país; e, Augusta em homenagem ao 2º marido. Durante a infância, vivenciou períodos de intensa convulsão social, devido às diversas insurreições nordestinas. Tais acontecimentos obrigavam a família a constantes mudanças de moradia, contribuindo para sua formação cultural.
Nísia Floresta foi pioneira no Brasil e na América Latina como educadora, escritora, tradutora, feminista e poetisa. Defendeu a educação feminina igualitária, fundou o Colégio Augusto só para moças, lutou pela participação política das mulheres e pelo abolicionismo no século XIX, com protagonismo nas letras, no jornalismo e nos movimentos sociais. Destacou-se por diversas obras, em especial, pela tradução integral de "La femme n'est pas inferieure a l'homme", publicado em 1750, atribuído a Madeleine de Puisieux, sob o título "Direitos das mulheres e injustiça dos homens" (1832), influenciada também pela obra "A Vindication of the Rights of Woman", de Mary Wollstonecraft (1792).
Seus posicionamentos eram muito ousados para a época. Estudou em uma instituição carmelita. Por orientação paterna, passou a investigar a biblioteca do convento e a ler tudo quanto fosse possível. Assim teve acesso à cultura europeia clássica. Casou-se aos 13 anos (como era o costume) e, poucos meses depois, abandonou o marido e retornou à casa paterna. Um escândalo!
Por ter tido acesso a uma excelente formação no convento, lutou para que todas as moças recebessem a mesma instrução formal que os homens, influenciando a prática educacional brasileira, rompendo os limites do lugar social destinado à mulher. Seu estudo a tornou capaz de estabelecer o diálogo entre a cultura e ideias europeias e a realidade brasileira de seu tempo. Suas obras, inspirada por movimentos estrangeiros, denunciavam o estado de inferioridade a que a mulher era submetida, buscando romper com os preconceitos que a cercavam.
O pai de Nísia, seu maior incentivador, Dionísio Gonçalves Pinto, foi vítima de uma emboscada preparada por uma poderosa família pernambucana. Ele, advogado, defendeu uma família pobre, prejudicada pela poderosa que queria tirar-lhe a posse de terra. Ele ganhou a causa e a emboscada foi vingança dos poderosos. Nísia, então, publicou um ensaio narrando o fato e cravou uma frase que repercute até os dia de hoje: "Quanto mais ignorante o povo, tanto mais fácil é a um governo absoluto exercer sobre ele o seu ilimitado poder" (1828).
Após a morte do pai, mudou-se com a mãe e as irmãs para Recife, onde conheceu Manoel Augusto de Faria Rocha com quem "casou" e teve 2 filhos, seu grande amor. Ela foi acusada de adultério pelo 1º marido, porém nada pôde impedir a 2ª união. Outro escândalo!
Continua na próxima semana.
*Rosina Bezerra de Mello é doutoura em estudos literários e professora