Cidade Partida
O Teleférico do Alemão é o maior símbolo da cidade partida, conceito do imortal Zuenir Ventura.
Imagine você 6 estações de metrô da zona sul e sudoeste da cidade desativadas desde 2016? Qual seria a reação da mídia e de seus moradores? Como nela mora parte significativa da elite econômica e social do Rio, seria primeira página todos os dias e a mídia não sossegaria até a volta do serviço do metrô e a reabertura das estações fechadas. Me refiro a equipamentos utilizados pela população e que, hipoteticamente, deixassem de funcionar. Não é o caso da desídia de década com a obra do metrô da Gávea, que ainda lamentavelmente não foi inaugurada.
Pois o Teleférico do Alemão está parado desde 2016! Funcionou de 2011 a 2016. São 6 estações: Bonsucesso (integração com trens da SuperVia), Adeus, Baiana, Alemão, Itararé e Palmeiras.
O trajeto desde a estação mais alta, Palmeiras, até a estação do nível da rua, Bonsucesso, são cerca de 16 minutos de trajeto. Hoje, os moradores das partes mais altas levam horas para descer e subir até as suas casas. Além de carregar pesos muitas vezes de maneira sobre-humana.
A extensão do Teleférico do Alemão é de 3,5 km. A maior de toda a América Latina em comunidade. São 152 cabines com capacidade para 10 passageiros cada. O Teleférico tem capacidade de transportar 30 mil pessoas por dia.
Imagine você se um equipamento desse estivesse instalado na zona sul ou na zona sudoeste da cidade e estivesse parado há 10 anos?
Não há melhor exemplo de cidade partida do que o descaso com o povo do Complexo do Alemão, que todos os dias convive com um equipamento desativado desde 2016 e que fazia tanta diferença na qualidade de vida das pessoas.
*Jornalista. Instagram: @sergiocabral_filho
