Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro: Guardião da Memória Cultural Brasileira, de 1965 à Nova Era em 2026

Por Cesar Miranda Ribeiro*

A trajetória do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, confunde-se com um dos períodos mais significativos da história cultural brasileira. Criado em 1965, em meio a profundas transformações políticas, sociais e artísticas, a instituição consolidou-se ao longo de seis décadas como um dos principais guardiões da memória audiovisual do país, atravessando gerações e renovando permanentemente seu papel cultural.

Desde a origem, o MIS ultrapassou os limites de um museu tradicional. Tornou-se espaço estratégico de articulação entre políticas públicas, projetos culturais e a necessidade permanente de preservar, interpretar e difundir a identidade de um Brasil plural, diverso e em constante transformação. Música, cinema, fotografia, rádio e audiovisual passaram a ocupar lugar central como formas de expressão, registro histórico e resistência cultural.

O contexto de 1965 foi determinante para o surgimento da instituição. Em um período marcado por tensões políticas e intensa efervescência artística, a criação do MIS respondeu à urgência de registrar vozes, sons e imagens que ajudassem a compreender o Brasil de então e a projetar sua memória para o futuro. A atuação de Carlos Lacerda, então governador do extinto Estado da Guanabara, foi decisiva nesse processo, ao defender uma visão inovadora de acesso à cultura e de modernização das instituições culturais.

Ao longo dos anos, foi criada a Fundação MIS, com duas sedes, Praça XV e Lapa, que estruturou um acervo de quase um milhão de itens de valor inestimável, resultado da confiança depositada por grandes artistas, intelectuais e famílias que escolheram a instituição para a guarda de suas coleções. Depoimentos históricos, arquivos sonoros, registros audiovisuais e documentais passaram a compor um patrimônio que preserva para a posteridade vozes fundamentais da cultura brasileira, como Pixinguinha, Clarice Lispector, Pelé entre mais de mil nomes que ajudaram a construir o imaginário cultural do país.

Esses depoimentos, projeto criado pelo nosso primeiro diretor executivo, Ricardo Cravo Albin em 1966, mais do que registros históricos, constituem uma herança viva. São fontes primárias que alimentam pesquisas, produções acadêmicas, roteiros cinematográficos, documentários e novas narrativas culturais, mantendo o MIS como referência para pesquisadores, cineastas, roteiristas e

criadores contemporâneos. A dimensão acadêmica do museu permanece ativa e pulsante, abastecendo continuamente a produção de conhecimento e conteúdo para a sociedade.

A evolução institucional da Fundação MIS foi marcada por constantes transformações estruturais, conceituais e tecnológicas. A incorporação de novas tecnologias trouxe maior dinamismo à preservação, à digitalização e ao acesso aos acervos, ampliando o alcance das coleções e garantindo sua salvaguarda para as futuras gerações, sem perder de vista o compromisso com a integridade histórica dos registros.

Nesse percurso de atualização e expansão, a criação da Rádio MIS RJ, em 2021, representa um marco contemporâneo. A rádio Web, vinculada à Fundação MIS, alcança hoje mais de 100 países, levando a cultura fluminense e brasileira para além das fronteiras nacionais e reafirmando o papel da instituição como difusora da memória e da produção cultural do Rio de Janeiro e do Brasil no cenário global.

O presente projeta-se de forma ainda mais significativa para o futuro com a chegada da nova sede do MIS em Copacabana, prevista para 2026. A retomada e a conclusão das obras, conduzidas pelo Governo do estado do Rio de Janeiro, sob a liderança da secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros do secretário da Casa Civil, Nicola Miccione e com o apoio decisivo do governador Claudio Castro, representam um marco

histórico. Trata-se não apenas de um novo edifício, mas da consolidação de um projeto cultural que conecta passado, presente e futuro.

A nova sede simboliza a continuidade de um legado iniciado em 1965, agora ampliado por tecnologias, novas formas de acesso, intercâmbio cultural e maior integração com a cidade e com o mundo. A Fundação MIS reafirma se, assim, como patrimônio vivo, em permanente renovação, onde memória e inovação caminham juntas para fortalecer a identidade coletiva e inspirar novas gerações.

Entre 1965 e 2026, a Fundação MIS permanece fiel à sua missão: preservar, difundir e projetar a cultura fluminense e brasileira, garantindo que as vozes do passado sigam dialogando com o presente e orientando os caminhos do futuro.

*Jornalista profissional e Radialista, especialista em TI-E-Ecommerce.