A excelência da diplomacia brasileira

Por Aristóteles Drummond

O livro de memórias do embaixador Marcos Azambuja, organizado pelo embaixador Gelson Fonseca com base em depoimentos dados em diferentes ocasiões, é um testemunho da excelência de nossa diplomacia, incluindo quase meio século de presença do relevante diplomata na Casa de Rio Branco.

Marcos Azambuja nasceu e foi educado no meio do que existe de melhor no setor púbico brasileiro. Seu pai, Dario Azambuja, foi oficial de Marinha e optou pela Aeronáutica quando de sua criação, tendo chegado a Brigadeiro, titular de importantes funções na Força. E sua geração deu ao Brasil notáveis diplomatas com os quais lidou ao longo da carreira. Nomes da tradição de Frank Thompson Flores, Paulo Nogueira Batista, Paulo Tarso Flecha de Lima, os irmãos Leite Ribeiro, Rubens Ricupero, Marcílio Marques Moreira e outros.

Mais do que as embaixadas em Buenos Aires e Paris, a carreira o colocou em posições em que participou de momentos importantes e com os grandes da profissão.

Presta preciosos testemunhos os diplomatas que marcaram seu tempo como, Araújo Castro, Sergio Corrêa da Costa, Azeredo da Silveira, Mário Gibson, destaca Vasco Leitão da Cunha e Pio Correa como grandes cabeças e acerta na definição dos presidentes desde Getúlio Vargas até Lula da Silva. Em todos, Azambuja viu as qualidades que efetivamente tinham, mas não esconde que a admiração maior foi por Fernando Henrique Cardoso. Lembra de que nossa política externa ficou nas mãos dos quadros diplomáticos no governo do presidente Médici e registra a vontade autoritária do presidente Geisel, ao constranger a casa nos votos contra Portugal, e o sionismo, afrontando as relações com Portugal e os portugueses residentes no Brasil, assim como a parcela da sociedade que é israelita.

São raros testemunhos tão honestos em termos de isenção e de colocar opiniões independentemente do "politicamente correto" ou das correntes que se consideram donas da História. Nenhuma novidade para quem conheceu o grande diplomata, dono de encantadora conversa, convívio agradável, espírito alegre e leve.

O Itamaraty teve como um dos últimos dos moicanos na elegância do ser e conviver, que o fez também relevante por ter sido muito querido. A alta qualidade até há bem pouco da instituição, como aborda em determinado momento com clareza, vem dos diplomatas serem, na sua maioria, filhos e irmãos de diplomatas ou filhos ou netos de titulados do Império, onde não havia lugar para preconceitos pela mesma educação e cultura de todos, desde o Barão do Rio Branco a Joaquim Nabuco, que são as maiores referências desde sempre.

O responsável maior pela publicação, Gelson Fonseca, é dos mais admirados na carreira, mais moderno do que Marcos Azambuja, destaque em sua geração pela cultura, texto e maneira de pensar.