☰
✕

Empresa desviava recursos públicos em serviços de home care no RS

Suspeitos orçavam cuidados por preços até 12 vezes acima do valor de mercado

Por

Piora no quadro clínico de paciente foi observada após cuidados da empresa

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) cumpriu medidas patrimoniais contra três pessoas e uma empresa suspeita de obter recursos públicos destinados ao atendimento domiciliar de um paciente.

Segundo o MPRS, os responsáveis apresentavam orçamentos até 12 vezes acima dos preços de mercado e que o tratamento previsto não foi prestado integralmente.

A Justiça determinou o sequestro e a busca e apreensão de oito veículos, a indisponibilidade de 33 imóveis e o bloqueio de até R$ 1 milhão.

A Operação Home Cash - Vacaria foi deflagrada na manhã de ontem (28), com diligências em Passo Fundo (RS). O caso teve origem em Vacaria (RS), onde decisões judiciais autorizaram o custeio de serviços de home care.

Segundo o MPRS, os recursos eram movimentados fora da comarca de origem, e bens ligados aos alvos foram localizados em Passo Fundo.

Entre eles estão uma advogada e uma empresa.

A apuração é coordenada pelos promotores de Justiça Manoel Figueiredo Antunes, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), 5º Núcleo Regional Serra, e Raynner Salles de Meira, de Vacaria.

A ação teve apoio do Núcleo de Inteligência (Nimp), da Brigada Militar e do promotor de Justiça Diego Pessi. As medidas buscam preservar bens, aprofundar o caso e permitir eventual ressarcimento aos cofres públicos.

Em um dos casos, um orçamento independente estimou em R$ 13,1 mil o custo mensal do atendimento. A empresa investigada cobrou R$ 162,4 mil pelo mesmo serviço.

Dois alvarás judiciais nesse valor foram identificados, somando R$ 324,8 mil.

Conforme a apuração, apesar dos pagamentos autorizados pela Justiça, o paciente não recebeu todos os cuidados previstos. O caso foi identificado após o médico responsável apontar a piora no quadro clínico.

Foram identificados repasses de fundos municipais de saúde e de depósitos judiciais custeados por entes públicos. Os investigadores apuram ainda possível ocultação de patrimônio. Entre 2022 e 2025, os alvos movimentaram R$ 13,4 milhões; um deles recebeu mais de R$ 9 milhões.

Desde 2024, esta é a quinta operação do MPRS contra suspeitas desse tipo de fraude.