MPPR investiga esquema que unia policiais penais e empresários

Apuração indica corrupção e fraudes no sistema prisional de Londrina

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Agentes recebiam propina de detentos para conceder benefícios no presídio

O Ministério Público do Paraná (MPPR) e a Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagraram a Operação Profundidade, que apura suspeitas de corrupção e fraudes no sistema prisional de Londrina (PR). Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão contra policiais penais e empresários da região.

Na ação, foram apreendidos equipamentos eletrônicos, documentos e R$ 87,5 mil em espécie. Também houve uma prisão em flagrante por porte de arma de fogo.

As ordens judiciais foram autorizadas pela 2ª Vara Criminal de Londrina.

Entre os investigados estão oito policiais penais, incluindo um ex-diretor-geral do Departamento de Polícia Penal do Estado do Paraná (Deppen), que também presidiu o Conselho da Comunidade de Londrina, e um ex-chefe de Inteligência do órgão.

Os outros seis alvos são empresários. Além disso, a mulher de um agente público, apontado como principal beneficiário do suposto esquema, também é investigada.

Segundo o MPPR, o grupo teria atuado no Centro de Reintegração Social de Londrina (Creslon), no Deppen e no Conselho da Comunidade. As diligências buscam identificar a dimensão das irregularidades e esclarecer a origem e o destino dos recursos.

A operação aponta duas frentes principais. Uma delas envolve o suposto recebimento de propina de pessoas privadas de liberdade em troca da concessão indevida de benefícios na execução penal.

A outra trata de fraudes em contratações feitas pelo Conselho da Comunidade.

O caso começou a ser investigado após denúncias anônimas e a apuração avançou com a análise de dados obtidos por quebras de sigilo bancário e fiscal.

Os elementos reunidos indicam movimentações milionárias atribuídas a policiais penais, incompatíveis com os rendimentos lícitos, além de repasses sem justificativa de outros investigados e de empresas fornecedoras.

Em outra frente, três núcleos empresariais são suspeitos de usar empresas para simular concorrência e direcionar contratos. Conforme a investigação, pagamentos teriam sido feitos como contrapartida. Parte dos depósitos pode ter sido fracionada em diferentes operações, prática conhecida como smurfing, para dificultar a identificação da origem dos recursos e burlar mecanismos de controle.