UFSC investiga vestígios de planetas na Via Láctea

Foram identificadas 446 estrelas candidatas a ter discos de detritos

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Pesquisa analisou sinais emitidos por poeira ao redor de estrelas

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) identificaram, no centro da Via Láctea, 446 fontes candidatas a apresentar discos de detritos, que são remanescentes da formação planetária e ficam ao redor das estrelas recém-formadas.

O estudo busca ampliar o conhecimento sobre a formação e a evolução de sistemas planetários em uma região do céu com grande concentração de estrelas e poeira, que dificulta a visualização.

O trabalho foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society (MNRAS) e teve como primeiro autor Pedro Esteves, estudante de Física da UFSC.

A pesquisa foi desenvolvida como projeto de Iniciação Científica no Departamento de Física, sob orientação do professor Roberto Saito.

A pesquisa

Os discos de detritos são formados por poeira e pequenos corpos rochosos que permanecem ao redor de estrelas, são materiais remanescentes da formação de planetas e podem resultar de colisões entre asteroides, cometas e outros objetos. No Sistema Solar, os cinturões de asteroides e de Kuiper são exemplos dessas estruturas.

Para localizar os candidatos, a equipe procurou excesso de emissão no infravermelho, sinal que pode indicar a presença de poeira ao redor de uma estrela. O material absorve parte da radiação recebida e libera energia principalmente nessa faixa de luz.

Os dados coletados foram comparados a modelos de atmosferas estelares para identificar emissões acima do esperado. O estudo enfrentou dificuldades causadas pela grande quantidade de objetos e pela poeira interestelar no plano galáctico, que pode obscurecer a luz e provocar sobreposição de sinais.

O estudo também examinou mudanças no brilho dessas estrelas ao longo de aproximadamente 14 anos. Entre essas fontes, 356 apresentaram sinais de variabilidade e 171 foram classificadas como candidatas a variações periódicas significativas.

As alterações podem estar ligadas à atividade ou à rotação da estrela, à presença de um sistema binário ou, em alguns casos, a estruturas de poeira em órbita que bloqueiam parte da luz emitida. A equipe pretende usar os resultados como base para estudos posteriores e para confirmar quais objetos realmente possuem discos de detritos.