Paraná tem 67 municípios sem planos para resíduos
Mais de um milhão de paranaenses vivem em cidades sem estratégia
Mais de um milhão de paranaenses vivem em municípios que declararam não ter plano formal para a gestão de resíduos sólidos, segundo um levantamento realizado pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR).
Dos 397 municípios consultados, 67 informaram não possuir Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS) ou Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) voltados ao setor. O número representa quase 17% das cidades pesquisadas.
O estudo também aponta que quase 30% das prefeituras não detalham a situação dos resíduos, com ausência de dados sobre pesagem, composição do lixo e projeção populacional. Quase 64% não têm estudo de gravimetria, que identifica parcelas recicláveis, orgânicas e de rejeitos. Segundo o TCE-PR, a falta dessas informações dificulta a definição de ações para reciclagem, compostagem, metas, rotas de coleta e contratos.
Outro ponto apontado pelo estudo é o custeio do serviço.
Apenas 31% das administrações disseram que a arrecadação com taxa ou tarifa de lixo cobre os gastos da coleta e do tratamento. Nos demais casos, o poder público precisa fazer aportes adicionais.
O levantamento ainda registra que 164 municípios, equivalentes a 41% do total, não têm mecanismos legais para diferenciar grandes geradores dos pequenos.
De acordo com o TCE-PR, isso pode levar o serviço público a assumir custos que deveriam ser privados.
A pesquisa foi realizada pela Coordenadoria de Acompanhamento de Atos de Gestão (CAGE) em outubro de 2025, com questionários enviados às prefeituras.
Foram 87 perguntas principais e 79 subordinadas sobre planejamento, destinação, coleta seletiva, logística reversa, educação ambiental, cobrança, tecnologias e atuação de catadores. As respostas são declaratórias, exceto nos casos de Cambé e Marechal Cândido Rondon, que passaram por auditorias diretas do Tribunal em 2025.
O relatório também aponta que quase 42% dos municípios não tratam os resíduos como oportunidade de emprego e renda. O estudo considera que a falta de planejamento pode afetar metas, custos e responsabilidades.
Também aponta espaço para ampliar reciclagem, economia circular e geração de renda com o aproveitamento de materiais no setor.