Governo do RS antecipa ações para El Niño intenso
Defesa Civil reforça ações em áreas de maior risco no estado
O governo do Rio Grande do Sul promoveu reunião com a Defesa Civil Estadual para atualização dos prognósticos climáticos para os próximos meses.
O governador Eduardo Leite (PSD) determinou a antecipação do fluxo de governança integrada com municípios sob maior risco de impactos climáticos diante do prognóstico de El Niño intenso a partir da primavera. Os dados mais recentes dos modelos meteorológicos indicam um rápido aquecimento do Oceano Pacífico, elevando para 83% a probabilidade de que a temperatura no Pacífico atinja entre 1,5°C e 2°C acima da média, o que caracterizaria um evento de intensidade.
"A ocorrência de um El Niño intenso se aproxima hoje de um consenso técnico. Não há dúvida de que enfrentaremos um período de maior instabilidade climática. Mas também não há dúvida de que o estado está hoje muito mais preparado do que esteve no passado", destacou Leite.
A meteorologista da Defesa Civil, Cátia Valente, apresentou os dados que mostram um aquecimento acelerado do Pacífico: a temperatura saltou de -0,4°C no final de 2025 para 0,5°C já em maio deste ano, patamar que caracteriza o início do El Niño.
Além disso, o aquecimento anômalo do Oceano Atlântico aumenta a probabilidade de formação de frentes frias e ciclones extratropicais, fator que pode potencializar os impactos a partir do segundo semestre de 2026.
"Fizemos investimentos históricos no fortalecimento da Defesa Civil, ampliamos equipes, tecnologias e capacidade de monitoramento. Mas, para além da resposta no momento da crise, estamos atuando desde já na preparação e na proteção das comunidades, chamando os prefeitos para que estejam atentos e prontos para colocar em ação as medidas de contingência sempre que necessário, com o objetivo primordial de preservar vidas", afirmou o governador.
Cátia Valente comparou que, a partir das condições oceânicas atuais, o cenário, neste momento, é semelhante ao observado em 2023, embora ainda passível de alteração passado o período de transição do outono.
No entanto, ela fez questão de destacar: o El Niño sozinho não permite afirmar que eventos climáticos extremos ocorrerão. As consequências dependem da combinação com outros fatores, como bloqueios atmosféricos, cuja previsão com meses de antecedência não é possível.
"Ainda não podemos dizer exatamente quais consequências teremos. Mas é certo que algum tipo de transtorno será enfrentado. Por isso, a antecipação é nossa principal ferramenta", conforme reforçou o coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Boeira.