RS: 75% dos autistas vivem com até um salário mínimo
Um levantamento da Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e com Altas Habilidades no Rio Grande do Sul (Faders) indica que 75% das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) vivem com até um salário mínimo per capita no estado, com base em registros da Carteira de Identificação da Pessoa com Espectro Autista.
O estudo reúne 47,3 mil cadastros coletados entre 2021 e 2026 e aponta desigualdade socioeconômica, além de lacunas no acesso a direitos e serviços. A pesquisa também mostra que 52% vivem com até meio salário mínimo e 52% estão no Cadastro Único (CadÚnico).
Apenas 15,89% recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), embora 24% tenham renda compatível com o auxílio.
Os dados foram cruzados com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que estima 124,2 mil pessoas com TEA no estado. A análise indica que 38% desse público já foi identificado. Além disso, a carteira está presente em 492 dos 497 municípios.
O perfil aponta predominância masculina, com 69%, mas houve avanço na identificação de mulheres, que passaram de 24,79% em 2024 para 30,12% em 2026. Há ainda 0,19% que se identificam de outras formas de gênero.
Na segmentação por gênero, 47% são homens cisgênero, 30% mulheres cisgênero, 1% de pessoas trans e não binárias, 4% em outras categorias e 18% sem informação.
Na distribuição racial, 79% se declaram brancos, 12% pardos e 5% pretos.
O diagnóstico ocorre principalmente na infância, com 57,36% até os cinco anos. Porém, houve aumento entre adultos, com registros após 16 anos subindo de 13,44% em 2025 para 18,25% em 2026. Entre maiores de 19, a participação passou de 14% para 18%.
Entre os cadastrados, 56,95% não possuem plano de saúde, mas 71% recebem acompanhamento em áreas como psicologia, neurologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional. A maioria, 81%, tem apenas o transtorno, enquanto 18% apresentam outras condições associadas.