RS: pesquisa notifica gripe aviária na região do Taim
Pesquisadores detectaram vírus H5N1 em fezes de aves silvestres
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) identificaram a presença do vírus da gripe aviária (H5N1) em amostras coletadas na Estação Ecológica do Taim (RS). A detecção ocorreu em aves silvestres e não há registro de impacto em criações comerciais até o momento, segundo nota técnica.
As análises fazem parte de um projeto de monitoramento que acompanha riscos associados a doenças em ambientes naturais.
Os resultados apontaram amostras positivas em fezes de cisne capororoca (Coscoroba coscoroba) e talhar-mar (Rynchops niger) na região do Taim.
Também foram identificados casos positivos em material coletado no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, em amostras coletadas em outubro de 2025 e analisadas neste mês de março, envolvendo espécies como batuiruçu (Pluvialis dominica), narceja (Gallinago paraguaiae) e narceja-de-bico-torno (Nycticryphes semicollaris).
Amostras adicionais coletadas em janeiro no mesmo local tiveram resultado negativo.
As coletas e análises integram o projeto Ecoclim-RS, que reúne universidades e instituições para monitorar riscos eco-epidemiológicos em ambientes terrestres e marinhos sob influência de variações climáticas.
Participam da iniciativa, além da UFRGS e FURG, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), o Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do RS e o Centro Estadual de Vigilância em Saúde.
O trabalho envolve integração de dados de campo e laboratório para ampliar a compreensão sobre a circulação de vírus em diferentes ecossistemas.
Ao todo, foram testadas 116 amostras de fezes ou suabes cloacais e orais, com 86 resultados positivos para influenza A (H5N1).
Os exames foram realizados em laboratório de biossegurança nível 3 da UFRGS, seguindo protocolos técnicos. As autoridades sanitárias foram notificadas conforme exigido e acompanham a evolução dos registros.
O projeto busca integrar dados ecológicos e epidemiológicos para antecipar surtos e apoiar políticas públicas. As instituições recomendam que a população não tenha contato com aves mortas ou doentes e comunique os casos aos órgãos responsáveis.
Também destacam que a presença do vírus está restrita a animais silvestres e que essas espécies atuam como indicadoras de riscos à saúde, não sendo responsáveis pela disseminação. As equipes seguem com coletas em diferentes pontos do estado.