SC estuda como a idade impacta a economia

Por Redação

Regiões menos desenvolvidas tendem a enfrentar mais dificuldades para sustentar serviços públicos

O envelhecimento da população brasileira e seus reflexos na economia são tema de uma pesquisa inédita desenvolvida no Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

A análise considera diferenças regionais e indica que os efeitos do envelhecimento não ocorrem de maneira uniforme no Brasil, sendo mais intensos em áreas com menor capacidade econômica e oferta limitada de empregos.

Os resultados apontam que locais menos desenvolvidos tendem a enfrentar maiores dificuldades para sustentar gastos públicos relacionados à saúde e à previdência, e apresentar menor capacidade de adaptação às mudanças demográficas.

Santa Catarina aparece no levantamento como um exemplo de transição mais acelerada, antecipando desafios que outras partes do país ainda irão enfrentar.

O estudo analisa como as mudanças demográficas afetam o crescimento da renda per capita, as dinâmicas regionais e a formulação de políticas públicas no país, a partir de dados dos Censos Demográficos de 1991, 2000 e 2010. A investigação avalia de que forma a alteração na estrutura etária, com redução de jovens, aumento de idosos e diminuição da população em idade ativa, influencia o desempenho econômico.

A pesquisa também aborda o conceito de bônus demográfico, período em que a proporção de pessoas em idade produtiva supera a de dependentes, favorecendo o crescimento econômico.

O estudo mostra que esse ciclo está próximo do fim no Brasil e destaca a importância de estratégias voltadas ao chamado segundo dividendo demográfico, que envolve a permanência ativa da população idosa na economia.

Entre os riscos identificados está a ausência de políticas públicas específicas para o envelhecimento. Atualmente, grande parte do cuidado com idosos dependentes recai sobre familiares em idade produtiva, o que pode pressionar o mercado de trabalho e a renda das famílias.

O trabalho indica a necessidade de ações nas áreas de educação continuada, saúde, previdência e apoio social.