Pecuária de Santa Catarina registra marcas inéditas em 2025
Produção e exportações bateram recordes e consolidam presença catarinense
A pecuária de Santa Catarina encerrou 2025 com crescimento da produção, ampliação das exportações e consolidação do estado entre os principais polos de proteína animal do país.
Os resultados envolveram a bovinocultura, a avicultura e também a suinocultura, com volumes recordes de abate, embarques externos em alta e participação relevante no mercado nacional. As informações constam no Boletim Agropecuário elaborado pelo Centro Estadual de Planejamento Agrícola (Cepa-SC) da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).
O desempenho ao longo do ano foi sustentado pela demanda internacional, pelo ganho de eficiência nas propriedades rurais e pelo controle sanitário mantido nos sistemas produtivos.
Segundo o Cepa, a combinação desses fatores permitiu expansão dos embarques e manutenção da atividade mesmo diante de oscilações de preços e custos em alguns segmentos.
Em relação a 2024, os três principais sistemas produtivos registraram crescimento, reforçando a trajetória de expansão do setor no estado, conforme dados do Observatório Agro Catarinense, coordenados pelo Cepa.
Na bovinocultura de corte, os valores do boi gordo apresentaram variações durante 2025, com movimento de alta mais consistente a partir de agosto, impulsionado pelo mercado externo aquecido e pelo consumo interno no último trimestre.
Em Santa Catarina, a valorização média foi de 2,3% na comparação entre dezembro de 2025 e o mesmo mês do ano anterior, considerando valores corrigidos pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI). Seis das dez regiões catarinenses registraram aumento, com destaque para o Alto Vale do Itajaí e o Planalto Sul.
No atacado, a carne bovina acumulou elevação média de 4,7% no ano. Os custos de produção também avançaram, influenciados pela alta nos preços de bezerros e novilhos, o que pressionou as margens dos pecuaristas. Apesar disso, as exportações contribuíram para sustentar o cenário de preços.
O Brasil embarcou 3,46 milhões de toneladas de carne bovina em 2025, com receita de US$ 17,94 bilhões. A China permaneceu como principal destino, enquanto Santa Catarina exportou 2,67 mil toneladas, com faturamento de US$ 12 milhões.
A produção estadual de bovinos alcançou 761,3 mil cabeças abatidas, volume 11,1% superior ao registrado em 2024. A participação das fêmeas chegou a 55,5% dos abates, sinalizando mudanças no ciclo pecuário local e impactos sobre a oferta futura de animais para o mercado.
Na avicultura, Santa Catarina fechou 2025 com produção recorde e forte desempenho nas vendas externas. Os preços do frango vivo subiram 4,1% no comparativo anual, enquanto no atacado houve retração média de 2,7%, influenciada pela maior oferta interna e por embargos relacionados à influenza aviária.
Exportações
O Brasil exportou 5,16 milhões de toneladas de carne de frango, das quais 1,20 milhão de toneladas tiveram origem catarinense, gerando receita de US$ 2,45 bilhões. A produção estadual alcançou 910,5 milhões de aves, crescimento de 2,7% em relação ao ano anterior e o melhor resultado desde 2014.
A suinocultura também registrou números inéditos em 2025. Após queda de preços no início do ano, o mercado apresentou recuperação gradual.
Em Santa Catarina, o suíno vivo acumulou alta real de 3,7% entre janeiro e dezembro, enquanto os cortes no atacado tiveram valorização média de 11,1%.
Os custos avançaram de forma moderada, com a ração representando 71,5% do total.
Num contexto geral, o Brasil exportou 1,47 milhão de toneladas de carne suína em 2025, com receita de US$ 3,58 bilhões.
Ainda segundo o Cepa, Santa Catarina liderou os embarques nacionais, com 748,8 mil toneladas e faturamento de US$ 1,85 bilhão, além de produção recorde de 18,3 milhões de cabeças, alta de 2,1% na comparação anual.
