Eduardo Leite apresenta estudo que analisa efeitos de free shops

Levantamento mostra maior participação de estrangeiros nas compras

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O governador Eduardo Leite apresentou nesta quinta-feira, 11, em Uruguaiana, a primeira etapa do estudo sobre a atividade das Lojas Francas de Fronteira Terrestre, com foco nesse município da Fronteira Oeste, hoje responsável pela maior movimentação do setor no país. O levantamento reúne informações sobre vendas, origem dos consumidores, dinâmica do comércio e impactos sobre o emprego e os serviços, com base em dados de 2019 a 2025.

O estudo, elaborado pela Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão, por meio do Departamento de Economia e Estatística, evidencia que a política de lojas francas integra a estratégia de desenvolvimento das cidades gêmeas de fronteira, que funcionam como pontos de conexão com países do Mercosul.

O governador disse que o estudo é uma ferramenta fundamental para defender a política de incentivo ao turismo de compras, que gera empregos e desenvolvimento para a região.

"Demonstrou um impacto muito positivo das lojas francas como estímulo ao comércio e turismo nas cidades gêmeas, atraindo cada vez mais turistas e compradores, com valor médio das compras subindo. Os empregos formais ligados ao comércio cresceram 25% entre 2020 e 2025. Não só as lojas francas abrem novas vagas, mas também todo o entorno, como o setor de alimentação e hospedagem que são impulsionados", enfatizou Leite.

A titular da secretaria, Danielle Calazans, destacou a relevância econômica e o desenvolvimento regional do turismo de compras. "Os free shops ajudam a impulsionar o comércio da fronteira e ampliam. Uruguaiana demonstra o potencial desse modelo ao atrair consumidores e fortalecer a economia local", afirmou.

Uruguaiana se consolida em posição de destaque entre as lojas francas. As vendas nas lojas de fronteira do Rio Grande do Sul passaram de US$ 3,4 milhões em 2019 para US$ 60,8 milhões em 2024. Do total comercializado pelos free shops terrestres no Brasil, 46% foram no município de Uruguaiana, chegando a 68% a participação total do Estado no país.

Em reais, o volume de vendas em Uruguaiana superou R$ 100 milhões em 2022 e chegou a R$ 207 milhões em 2024, representando 8% do varejo total do município. A cidade reúne hoje 16 lojas francas — a maior concentração do país — em um cenário em que o Rio Grande do Sul soma 37 estabelecimentos distribuídos em Sant'Ana do Livramento, Jaguarão, São Borja, Quaraí, Porto Mauá, Porto Xavier, Itaqui e Barra do Quaraí.

Dinâmica dos serviços

O crescimento da atividade também se observa no setor de serviços. Entre 2020 e 2023, as vendas de alojamento e alimentação avançaram 67% em Uruguaiana, diante de 27% no Rio Grande do Sul, acompanhando a intensificação do fluxo de visitantes associada ao turismo de compras. O emprego formal segue a mesma trajetória, tendo crescido 25% no comércio, 59% no setor de alojamento e alimentação e 26% na indústria, entre dezembro de 2020 e agosto de 2025. Todos esses incrementos são superiores à média estadual no mesmo período. O município também ampliou sua presença como destino no transporte intermunicipal de passageiros, atingindo a maior participação no Estado desde 2019.

Dinâmica dos empregos

A expansão no emprego formal de setores relacionados é observada também no conjunto de municípios com lojas francas. No comércio varejista do Estado, a participação desses municípios passou de 3,8% em 2019 para 4,1% em 2024. No setor de alimentação, o índice evoluiu de 1,8% para 2,2% no período. O aumento da participação dessas regiões no comércio e no emprego formal indica o papel das LFFT como vetor de dinamização econômica regional.

Dinâmica de vendas

A dinâmica das vendas segue um padrão sazonal. Dezembro concentra os maiores volumes de vendas, com média histórica crescente e acima de US$ 6,5 milhões no período de 2019 a 2024, no Brasil. Meses como novembro, janeiro, junho e julho também registram movimentação elevada, em uma trajetória que reflete o calendário turístico e datas relevantes do comércio, consolidando as lojas francas como parte estruturante da economia de fronteira.