Polo aeroespacial de São José dos Campos recebe fomento

Iniciativa aposta em capacitação de novos profissionais

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O mundo voltou sua atenção para a missão Artemis II, da Nasa, que levou astronautas à maior distância já percorrida por humanos em relação à Terra. Em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, o tema dialoga com uma trajetória já consolidada: o município abriga um dos setores aeroespaciais mais avançados do país. Esse ambiente tem sido progressivamente estruturado no âmbito do Programa SP Produz, que apoia o fortalecimento da governança e o desenvolvimento de projetos estratégicos da Cadeia Produtiva Local Aeroespacial.

"Nossa CPL Aeroespacial é uma das mais ativas e maduras. Com mais de 20 anos, reúne empresas de toda a cadeia produtiva, desde o fornecimento de matéria-prima até o desenvolvimento de produtos finais, como aeronaves e satélites. Trata-se de uma tecnologia dominada por poucos países", afirma Kenzo Takatori, coordenador do Cluster Aeroespacial e de Defesa Brasileiro e integrante do Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos, entidade gestora da cadeia produtiva.

Instalada no Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos (PIT), a CPL recebeu fomento do programa para investir na formação de novos profissionais e ampliar sua presença em feiras e eventos estratégicos, com o objetivo de conquistar novos clientes internacionais. As ações também fortalecem a rede de contatos qualificados do setor, aumentando a competitividade em um mercado global altamente especializado.

"Com o fomento do SP Produz, contratamos professores, oferecemos cursos e os alunos já são absorvidos pela própria cadeia. Além disso, conseguimos qualificar empresas para atender às exigências internacionais, que são cada vez mais rigorosas."

Reunindo 160 empresas de diferentes segmentos da cadeia produtiva, que atua desde o fornecimento de matéria-prima até a produção de aeronaves, satélites, foguetes e sistemas de alta complexidade nas áreas de aeronáutica e aeroespacial. O setor é estratégico por seu alto valor agregado e capacidade tecnológica. Segundo levantamento da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), a indústria já emprega cerca de 27 mil trabalhadores paulistas e segue em expansão, impulsionada pelo aumento da produção e pela demanda internacional.

Takatori destaca que o fomento público tem papel decisivo para sustentar esse nível de desenvolvimento. "Os recursos do SP Produz são essenciais. O setor aeroespacial tem ciclos longos, a negociação de uma venda pode levar até oito anos, além de envolver produtos complexos. Esse apoio permite investir em qualificação, certificações internacionais e participação em feiras estratégicas, fundamentais para acessar o mercado global", explica.

Para a subsecretária de Competitividade e Desenvolvimento Econômico e Regional da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Júlia da Motta, estimular a integração entre todos os elos de uma cadeia econômica contribui diretamente na geração de renda, emprego e fortalece a competitividade das empresas paulistas.