Feira na USP reúne mais de 290 projetos de jovens cientistas

Soluções investigam desafios da saúde, do meio ambiente, das cidades e da tecnologia

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A 24ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) começa nesta terça-feira (17), no Inova USP, no campus da Universidade no bairro do Butantã, zona oeste de São Paulo, reunindo 297 projetos finalistas desenvolvidos por estudantes do ensino básico e técnico de todas as regiões do país. O primeiro dia da feira será aberto exclusivamente para imprensa, avaliadores e autoridades. A mostra será aberta ao público na quarta (18) e quinta-feira (19), com entrada gratuita.

Considerada a maior mostra pré-universitária de ciência e engenharia do país, a Febrace revela neste ano uma geração de estudantes que exploram tecnologias avançadas — como inteligência artificial, visão computacional, redes neurais, biossensores e realidade virtual — para investigar e propor soluções para problemas concretos da sociedade. Os trabalhos estão distribuídos por diferentes áreas do conhecimento — como Ciências Agrárias, Ciências Biológicas, Ciências da Saúde, Ciências Exatas e da Terra, Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas e Engenharia, refletindo a diversidade de temas investigados pelos jovens pesquisadores.

Confira alguns dos projetos de destaque apresentados na mostra:

Plataforma prevê surtos de dengue

Uma plataforma que utiliza inteligência artificial para prever surtos de dengue com semanas de antecedência foi desenvolvida por estudantes do Colégio Técnico de Campinas (Cotuca-Unicamp), em Campinas (SP). O sistema analisa dados históricos da doença no Datasus e informações climáticas, identificando padrões que indicam quando o número de casos pode aumentar em cada município. Quando o risco de surto é detectado, outra inteligência artificial entra em ação: ela analisa imagens aéreas feitas por drones e identifica objetos que podem acumular água — como pneus, lonas e entulho — apontando os locais com maior probabilidade de criadouros do mosquito.

IA caça balões no céu

Mesmo proibida no Brasil, a soltura de balões continua sendo uma prática frequente e perigosa. Estima-se que cerca de 100 mil sejam lançados todos os anos no país, provocando incêndios em áreas de preservação e riscos para a aviação, já que esses objetos não aparecem nos radares convencionais. Para enfrentar o problema, estudantes do Colégio Dante Alighieri, de São Paulo (SP), desenvolveram um sistema que usa IA para detectar, rastrear e prever a trajetória de balões em áreas de risco, como aeroportos e parques ambientais. O sistema utiliza câmeras apontadas para o céu e um modelo de visão computacional (YOLOv10) treinado com milhares de imagens de balões, pássaros e aviões. Nos testes, o algoritmo identificou balões em imagens e vídeos com 94% de precisão. Duas câmeras montadas em um sistema motorizado controlado por Arduino calculam a posição do balão por triangulação e acompanham seu deslocamento, permitindo prever a área de queda e emitir alertas antes que um incêndio comece.

Rosto como passagem no ônibus

Esquecer, perder ou ter o bilhete único roubado é um problema comum para muitos usuários do transporte público. Pensando nessas dificuldades, estudantes do CEAP - Centro Educacional e Assistencial Profissionalizante, na zona sul de São Paulo, desenvolveram o MOV (Mobilidade, Oportunidade e Valor), um sistema que propõe o uso de reconhecimento facial como alternativa de acesso ao transporte coletivo. A ideia é que o usuário faça um cadastro prévio em uma plataforma on-line, registrando seus dados e a imagem do rosto.

No momento do embarque, em vez de utilizar o cartão, o sistema reconheceria a face do passageiro e liberaria o acesso, associando a viagem ao saldo registrado no sistema. O protótipo foi desenvolvido com ferramentas de programação e bibliotecas de inteligência artificial usadas em aplicações de reconhecimento facial. Na FEBRACE, os estudantes demonstrarão o funcionamento da proposta em um totem que simula a entrada de um ônibus: os visitantes podem se cadastrar na plataforma e testar o reconhecimento facial em tempo real.