SP: fiscalização de Lei Seca e multas disparam
Dados de 2025 são os maiores, ao menos nos últimos cinco anos
Fiscalizações e multas para quem bebe e dirige dispararam no estado de São Paulo. Os números de 2025 são os maiores, ao menos nos últimos cinco anos, segundo o Detran-SP (Departamento de Trânsito) de São Paulo.
Dados tabulados a pedido da reportagem mostram que quase 20 mil motoristas foram autuados em blitze realizadas por agentes do Detran e por policiais militares de trânsito em perímetro urbano no estado de São Paulo no ano passado. O número é 56% maior que as cerca de 12,8 mil multas em 2024.
Na capital paulista, o crescimento foi um pouco menor, de 31% passou de 2.191 autuações para 2.865.
Nas estatistias não contam ações feitas exclusivamente pela Polícia Militar.
Se subiu a quantidade de infratores, ao mesmo tempo, mais do que dobraram as fiscalizações de ODS (Operações de Trânsito Segura), com uso de bafômetro no estado.
Conforme o Detran, em 2024 foram 565 dessas operações. No ano passado, ocorreram 1.273 delas
O número de veículos fiscalizados cresceu 95%, chegando a 781 mil em 2025.
Com 18.878 casos, o maior registro é de motoristas que se recusaram a assoprar o bafômetro que, apesar disso, serão multados em R$ 2.934,70 e terão o direito de dirigir suspenso por 12 meses.
Proporcionalmente, o número de autuações está menor. No ano passado, 2,5% dos condutores abordados pelos agentes de trânsito acabaram multados, contra 3,1% em 2024.
Mesmo assim, as estatísticas impressionam, segundo o médico Flávio Adura, diretor científico da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego).
"Estamos falhando, não estamos conseguindo convencer que motoristas tenham a percepção real do risco [de dirigir após beber]", afirma.
Para o especialista, há falha na comunicação sobre as consequências de se conduzir um veículo sob efeito do álcool.
Em junho, a Lei Seca (que endureceu as regras de trânsito e criminais contra quem bebe e dirige) completa 18 anos.
Adura diz que as campanhas de conscientização sobre o tema tem diminuído ao longo desse tempo. Isso afeta principalmente os motoristas mais jovens, que eram crianças quando a legislação entrou em vigor 30% dos mortos em acidentes no ano passado no estado tinham até 29 anos, aponta o Infosiga, sistema estadual de monitoramento da letalidade no trânsito.
"Muitos condutores jovens não têm essa informação", afirma ele.
