Novo supercomputador revoluciona previsão do tempo

Máquina chamada Jaci funciona no Inpe, em Cachoeira Paulista

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Claudinei Queiroz (Folhapress)

Desde o último dia 11, está em funcionamento em Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo, o novo supercomputador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que deve ajudar os cientistas a realizarem previsões meteorológicas e estudos climáticos com maior precisão e rapidez, o que é fundamental para a emissão de alertas mais eficazes de eventos extremos provocados pelas mudanças climáticas.

A Jaci, como foi nomeada a máquina em votação popular, tem capacidade de processamento de dados de cinco a seis vezes maior e cerca de 24 vezes mais capacidade de armazenamento de dados que o sistema anterior, o Tupã, cuja capacidade era de 1 petabyte (o suficiente para gravar vídeos em alta definição para serem assistidos por 13 anos ininterruptamente. Na Jaci, daria para armanezar por 312 anos).

"No Tupã, o processamento dos dados era feito duas vezes por dia. Agora são quatro vezes por dia. Atualizar a previsão numérica em menor tempo possível vai beneficiar diretamente os trabalhos de previsão", diz Ivan Barbosa, coordenador de infraestrutura de dados e supercomputação do Inpe.

Na prática, o novo supercomputador torna possível o uso de modelos com maior detalhamento para gerar um conjunto com mais cenários, podendo assim identificar o mais provável, além de apontar a possibilidade de algum cenário extremo, destaca José Antonio Aravéquia, coordenador-geral de Ciências da Terra do instituto.

As previsões são geradas a partir de uma vasta rede de observações, composta por estações de superfície, de altitude, dados de navios e boias oceânicas, dados de aeronaves, além de todos os satélites meteorológicos dos países que contribuem com a Organização Meteorológica Mundial.

Todas as redes de observações coletam medidas, com seus sensores, e permitem estimar parâmetros da atmosfera, da superfície e dos oceanos, como temperatura, umidade, intensidade e direção dos ventos e a pressão em superfície. A Jaci é alimentada com todas essas informações e processa modelos climáticos que são analisados pelos meteorologistas.

"Com o maior poder computacional, a modelagem consegue realizar previsões de mais cenários para o futuro e, com isso, permitir aos tomadores de decisão fazerem medidas de planejamento para mitigação e adaptação a cenários de mudanças climáticas", explica Aravéquia.

"O objetivo é possibilitar previsões detalhadas, como por exemplo: 'fortes chuvas com rajadas de vento na zona leste da capital, entre 16h e 18h', diferenciando como será o tempo em regiões separadas por apenas 10 km de distância, além de indicar de forma mais objetiva o intervalo de ocorrência dos eventos climáticos."

Um dos motivos para isso é que a grade de previsão do novo equipamento possui áreas de resolução de 10 km por 10 km, enquanto que no Tupã ela era o dobro. Sobre o território nacional, é possível que o estudo seja feito em áreas ainda menores, de apenas 3 km por 3 km, permitindo identificar fenômenos locais.