Cidades do litoral de SP enfrentam falta d'água

Em nota, concessionária Sabesp fala em alta no consumo

Por André Fleury Moraes (Folhapress)

Moradores e turistas de pelo menos cinco cidades no litoral paulista enfrentam desde a semana passada interrupções parciais ou totais no abastecimento de água. Em alguns locais o problema começou há poucos dias; em outros, segundo relatos, perdura desde o Natal.

Concessionária dos municípios afetados, a Sabesp afirmou que atende as cidades sem intermitências, mas que em alguns pontos há "relatos de baixa pressão e interrupções pontuais devido à necessidade de ajustes operacionais constantes em função de alta de consumo e chuvas que impactam na qualidade dos mananciais".

A companhia declarou também que "o consumo permanece bastante elevado, impulsionado por um cenário atípico de temperaturas elevadas, com aumento de demanda típico da temporada, intensificado pelo turismo".

Uma das cidades mais impactadas é Ilhabela, no litoral norte, o que levou o prefeito Toninho Colucci (PL) a ameaçar multar a concessionária de saneamento em publicação nas redes sociais.

"A região norte da cidade está sofrendo sem um abastecimento digno. A gente vai dar um basta", declarou o mandatário em 1º de janeiro.

Moradora do município há décadas, a empresária Marjory Milene de Moraes, 50, chegou a ficar cinco dias sem água, problema que se intensificou em 27 de dezembro.

Ela é proprietária de um chalé que aluga durante a alta temporada e quase perdeu os hóspedes, que só decidiram ficar quando perceberam que o problema não se restringia ao imóvel onde estavam.

O abastecimento em sua residência e em boa parte do município já voltou, mas regiões mais altas da cidade, para onde a água precisa ser bombeada, ainda sofrem --segundo a Sabesp, a previsão é de retorno gradual dentro dos próximos dois dias.

"Essa crise não foi uma surpresa, toda temporada passamos pelo mesmo", diz o também morador de Ilhabela Gabriel Derderian.

"Dentro de casa, a descarga só funcionava com balde de água da chuva, e isso apenas depois das chuvas, porque antes disso não havia nem essa alternativa", afirma. "É uma experiência constrangedora que ninguém deveria viver."

Não é diferente em São Sebastião, onde a vereadora Henriana Lacerda (Republicanos) chamou de "inaceitável" o problema da falta d'água.

Segundo a Sabesp, a situação neste caso "decorre de um cenário atípico de temperaturas elevadas e do expressivo aumento do consumo, fatores que causam oscilações no fornecimento de água e exigem ajustes operacionais no sistema".