Maior aterro da América Latina, na Grande SP, gera biometano
Usina em Caieiras transforma resíduos em energia limpa
O maior aterro sanitário da América Latina, localizado em Caieiras, na Região Metropolitana de São Paulo, tornou-se um dos principais símbolos da transição energética no estado ao abrigar uma moderna usina de produção de biometano. A estrutura integra a estratégia paulista de redução de emissões de gases de efeito estufa e ampliação do uso de fontes renováveis na matriz energética.
A unidade recebeu, nesta semana representantes do Governo de São Paulo, além de integrantes da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico e de entidades do setor de resíduos. Durante a visita técnica, foram apresentados os processos de operação do aterro, que vão desde a captação do biogás gerado pela decomposição dos resíduos até sua purificação para a produção de biometano, combustível renovável com potencial de substituir o gás natural de origem fóssil.
O empreendimento também foi reconhecido pela compensação de emissões associadas a um grande evento ambiental realizado no estado em 2025. A iniciativa resultou na neutralização de 284 toneladas de dióxido de carbono, por meio de créditos de carbono certificados no próprio aterro. Cada crédito representa uma tonelada de CO? que deixou de ser lançada na atmosfera, reforçando o papel da gestão de resíduos no combate às mudanças climáticas.
Desde 2006, o aterro de Caieiras já certificou cerca de 9,6 milhões de créditos de carbono. O aproveitamento do biogás evita a liberação direta de metano no ambiente, um gás com impacto climático significativamente superior ao do dióxido de carbono. A conversão desse gás em energia e biometano transforma um passivo ambiental em ativo energético.
A estrutura, conhecida como Unidade de Valorização Sustentável, opera com tecnologia avançada e adota monitoramento ambiental e hidrogeológico contínuo. Além da geração de energia, o complexo realiza o tratamento do chorume, a recuperação de áreas degradadas, ações de logística reversa e iniciativas de reaproveitamento de materiais.
A visita também serviu para aprofundar o diálogo institucional sobre desafios regulatórios, infraestrutura e políticas públicas voltadas à gestão de resíduos e à produção de combustíveis renováveis. O intercâmbio entre governo, iniciativa privada e entidades setoriais é visto como fundamental para acelerar a descarbonização e ampliar investimentos em inovação ambiental.
Inaugurada em novembro de 2024, a usina de biometano de Caieiras é resultado de uma parceria entre empresas do setor ambiental e energético. A planta tem capacidade instalada para produzir cerca de 70 mil metros cúbicos de biometano por dia e recebe aproximadamente 10,5 mil toneladas diárias de resíduos sólidos, principalmente de municípios da Grande São Paulo.
O projeto consolida o setor de resíduos como um dos pilares da economia verde paulista, demonstrando que é possível aliar desenvolvimento econômico, gestão eficiente de lixo urbano e redução consistente dos impactos ambientais.