☰
✕

Governo de SP investe R$ 960 milhões em piscinões para conter enchentes na Grande SP

Quatro reservatórios foram entregues desde 2023 e um segue em obras; região metropolitana conta com 30 piscinões

Por Andre Souza - SP

Reservatórios armazenam temporariamente a água das chuvas para reduzir o risco de enchentes na Região Metropolitana de São Paulo.

O Governo de São Paulo informou ter investido R$ 960 milhões na implantação de cinco reservatórios de contenção de cheias na Região Metropolitana desde 2023. Desse total, quatro piscinões foram entregues e um permanece em construção. As estruturas são utilizadas para armazenar temporariamente a água das chuvas e reduzir o risco de transbordamento de rios e córregos em áreas urbanizadas.

Segundo informações divulgadas pela administração estadual, a SP Águas concluiu dois reservatórios em Franco da Rocha, um em Francisco Morato e outro que atende São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul. A quinta obra está localizada nas proximidades do estádio do Morumbi, na zona sul da capital paulista.

Atualmente, a Grande São Paulo conta com 30 piscinões distribuídos por 11 municípios: Diadema, Embu das Artes, Franco da Rocha, Francisco Morato, Guarulhos, Mauá, Osasco, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Taboão da Serra.

Juntas, essas estruturas possuem capacidade para armazenar mais de 6,3 milhões de metros cúbicos de água, segundo os dados estaduais.

Funcionamento dos reservatórios

Os piscinões funcionam como áreas de retenção temporária. Durante tempestades, parte da água que escoa pelas ruas é direcionada aos reservatórios, evitando que todo o volume alcance simultaneamente os sistemas de drenagem.

Após a diminuição das chuvas, a água armazenada é liberada gradualmente. O mecanismo reduz os picos de vazão, mas não elimina a possibilidade de enchentes, especialmente em situações de precipitações intensas ou quando a capacidade dos sistemas é ultrapassada.

O governo informou que os equipamentos contribuíram para a retenção de água durante as chuvas registradas em setembro. Entretanto, o balanço divulgado não apresenta indicadores comparativos que permitam dimensionar a redução dos alagamentos nas regiões atendidas.

A manutenção dos reservatórios, a retirada de sedimentos e o funcionamento dos sistemas de drenagem também são necessários para preservar a capacidade de armazenamento.

Investimentos em rios e drenagem

Além da construção dos piscinões, o Estado mantém intervenções no Rio Tietê e em seus afluentes por meio do Programa IntegraTietê.

De acordo com o governo, foram aplicados R$ 1,4 bilhão desde 2023 em ações que incluem o desassoreamento de rios. Nesse período, mais de 6,8 milhões de metros cúbicos de sedimentos foram retirados dos cursos d'água.

No Rio Pinheiros, a administração estadual contabiliza a remoção de 149,7 mil toneladas de resíduos desde 2023, com investimentos superiores a R$ 228 milhões.

Outra frente envolve a manutenção de 12 pôlderes na Marginal Tietê. Esses sistemas utilizam estruturas de retenção, comportas e bombas para impedir que a elevação do nível do rio provoque o retorno da água às vias marginais.

As intervenções fazem parte das medidas destinadas a melhorar o escoamento das águas e reduzir os impactos das chuvas na região metropolitana.

Prevenção para o período chuvoso

Os investimentos também integram a estratégia estadual de enfrentamento aos eventos climáticos extremos.

Em 15 de outubro, o governo lançou a Operação SP Sempre Alerta – El Niño 2026/2027, vinculada ao Plano Estadual de Resiliência às Mudanças Climáticas.

O planejamento reúne 181 iniciativas e prevê R$ 29 bilhões em investimentos até 2029, abrangendo obras de infraestrutura, monitoramento meteorológico e ações de prevenção.

Apesar dos recursos anunciados, a redução dos prejuízos provocados pelas enchentes depende da conclusão das obras, da manutenção dos equipamentos e da integração entre os sistemas municipais e estaduais de drenagem.

A avaliação dos resultados também exige dados sobre a frequência dos alagamentos, os volumes efetivamente retidos e o desempenho das estruturas durante as tempestades.