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Marcolino pede investigação sobre alcance de Pavanato nas redes sociais em 2026

Representação solicita dados da Meta para apurar possível favorecimento digital à candidatura de Pavanato

Por Andre Souza - SP

Luiz Claudio Marcolino(PT) pede apuração sobre a distribuição de conteúdos eleitorais de Lucas Pavanato(PL) nas plataformas digitais da Meta.

O deputado estadual Luiz Claudio Marcolino (PT) protocolou uma representação na Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo para pedir a apuração de possíveis irregularidades na distribuição de conteúdos digitais relacionados à candidatura de Lucas Pavanato a deputado federal nas eleições de 2026. O pedido envolve publicações no Instagram e no Facebook, plataformas administradas pela Meta.

A iniciativa busca esclarecer se conteúdos da campanha receberam recomendações em desacordo com as regras eleitorais. O documento não comprova favorecimento, mas pede dados técnicos para identificar a origem das visualizações e avaliar se houve alguma vantagem indevida.

A peça foi elaborada pelos advogados Fabiano Silva dos Santos e Pedro Alem Santinho. Entre as diligências estão a preservação de registros da Meta e a análise de métricas de distribuição, coautorias, anúncios, eventuais falhas nos sistemas e restrições aplicadas a conteúdos eleitorais. O objetivo é distinguir acessos diretos, compartilhamentos espontâneos, impulsionamento contratado e recomendações automatizadas.

Também solicita ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) a confirmação dos perfis declarados pela candidatura e das datas em que essas informações foram comunicadas às plataformas.

Vídeo com Flávio Bolsonaro

Um dos conteúdos citados é um vídeo em que Pavanato aparece ao lado de Flávio Bolsonaro dentro de um automóvel. Segundo relatório público do Instituto Democracia em Xeque, a publicação havia registrado 19 milhões de visualizações em levantamento indicado em 24 de agosto de 2026.

Marcolino pede que a Meta confirme os responsáveis pela publicação e forneça informações sobre sua circulação. A representação ressalta que o número de visualizações, mesmo elevado, não demonstra por si só qualquer irregularidade. Para verificar eventual descumprimento das normas, seria necessário identificar como o material foi entregue aos usuários.

Meta reconheceu falhas

O questionamento ocorre em meio a discussões sobre o funcionamento das ferramentas da Meta durante a campanha. Conforme reportagem publicada pela Exame, a empresa reconheceu falha em um recurso de inteligência artificial que permitiu gerar propaganda relacionada a Flávio Bolsonaro enquanto bloqueava determinadas solicitações sobre Lula. A companhia afirmou que o comportamento variava conforme os comandos e corrigiu o problema.

Essa ocorrência diz respeito à geração de conteúdo por inteligência artificial, não à distribuição do vídeo de Pavanato. Portanto, não constitui prova de que a publicação citada na representação tenha recebido tratamento privilegiado.

Recursos e investigação

A representação também pede informações para apurar eventual emprego de recursos públicos na produção ou divulgação de conteúdos eleitorais, além de avaliar a dimensão econômica de vantagens de distribuição.

O texto distingue a preservação dos registros do acesso aos dados. Para informações protegidas por sigilo, prevê autorização judicial quando necessária e medidas para resguardar dados pessoais.

Caso surjam elementos suficientes, o deputado solicita que o Ministério Público Eleitoral avalie o ajuizamento de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) ou outras providências cabíveis. Eventuais sanções dependerão de comprovação e do respeito ao contraditório e à ampla defesa.

O Correio da Manhã entrou em contato com a assessoria de Lucas Pavanato(PL) para solicitar um posicionamento sobre a representação e aguarda resposta.