Poluição orgânica no Rio Tietê cai 29,4% entre 2024 e 2026, segundo a Cetesb
Poluição orgânica no Rio Tietê cai 29,4% entre 2024 e 2026, segundo a Cetesb
A quantidade de poluição orgânica transportada pelo Rio Tietê caiu 29,4% entre 2024 e 2026, segundo estudo da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), divulgado em setembro.
O volume passou de 218 para 154 toneladas por dia. Os dados fazem parte do acompanhamento do programa Integra Tietê, iniciado pelo governo paulista em 2023, com previsão de R$ 25 bilhões em investimentos até 2029.
A redução foi registrada após a ampliação da coleta e do tratamento de esgoto na Região Metropolitana de São Paulo. Apesar dos resultados, o rio continua recebendo matéria orgânica, principalmente de esgoto doméstico sem tratamento, que compromete a qualidade da água e reduz a quantidade de oxigênio disponível para a vida aquática.
O levantamento também identificou queda de aproximadamente 15% na concentração média de matéria orgânica em um trecho de 300 quilômetros do Médio Tietê, entre Santana de Parnaíba e a entrada do Reservatório de Barra Bonita, em Botucatu.
Entre os afluentes, o Córrego Lavapés, em Mogi das Cruzes, apresentou redução de 56% na concentração de Carbono Orgânico Total (COT), que passou de 29 miligramas por litro, em 2024, para uma média de 13 miligramas por litro em 2025 e 2026. Em Itaquaquecetuba, as quedas foram de 31% no Ribeirão Jaguari e 29% no Ribeirão Três Pontes.
No Rio Pinheiros, três dos quatro pontos monitorados também registraram redução da matéria orgânica desde 2024. A diminuição foi de 55% na Barragem de Pedreira, 29% na Ponte do Socorro e 26% na Usina São Paulo.
Nova etapa das obras
O governo estadual e a Sabesp iniciaram, no segundo semestre, uma nova fase do Integra Tietê, com intervenções em 12 municípios da Grande São Paulo. Estão previstos 460 quilômetros de tubulações, 112 estações elevatórias de esgoto e uma estação de tratamento.
As obras vão atender Osasco, Carapicuíba, São Paulo, Cotia, Jandira, Itapevi, Santana de Parnaíba, Barueri, Caieiras, Franco da Rocha, Francisco Morato e Cajamar. A estimativa do governo é beneficiar 1,75 milhão de moradores com a ampliação dos serviços de saneamento.
Desde o início do programa, em 2023, mais de 1,5 milhão de domicílios foram conectados à rede de esgoto, segundo o balanço estadual. As ligações atendem aproximadamente 4,5 milhões de pessoas e teriam permitido retirar dos rios mais de 10 bilhões de litros de esgoto por mês.
Nesse período, a Sabesp informa ter construído sete estações de tratamento, 39 estações elevatórias e implantado 1.032 quilômetros de tubulações.
Diferenças entre municípios
A cobertura dos serviços ainda apresenta diferenças entre as cidades. Em Guarulhos, o percentual de esgoto tratado passou de pouco mais de 2% para 45%, com previsão de alcançar 78% até dezembro de 2026.
Em Cajamar, onde não havia serviço de coleta e tratamento até 2022, os índices chegaram a 79% de coleta e 50% de tratamento neste ano. No distrito de Perus, na zona noroeste da capital, o governo informa que o tratamento passou de zero para 100% após a construção de uma estação local.
Outra frente do programa envolve a retirada de sedimentos acumulados nos rios. Desde 2023, foram removidos 6,8 milhões de metros cúbicos de material. Somente em 2025, o desassoreamento dos rios Tietê e Pinheiros retirou mais de 2,3 milhões de metros cúbicos.
Embora os indicadores apontem redução da carga orgânica, os dados apresentados não estabelecem prazo para a recuperação integral do Tietê. A continuidade da melhora depende da expansão do tratamento de esgoto, do controle dos lançamentos irregulares e da manutenção das ações de fiscalização ambiental.