Mesmo com chuvas, Cantareira cai a 33%, mas Tarcísio descarta racionamento de água

Governo aposta em redução de pressão e outras medidas durante período de seca

Por Andre Souza - SP

Sistema Cantareira é formado pelos reservatórios Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha, Paiva Castro e Águas Claras

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), descartou a adoção de rodízio ou racionamento de água na Região Metropolitana de São Paulo durante o período de estiagem. A declaração ocorre após o Sistema Cantareira encerrar agosto com aproximadamente 33% do volume útil armazenado, em meio à redução dos níveis dos reservatórios responsáveis pelo abastecimento da população.

O Cantareira terminou o mês com 32,99% da capacidade, abaixo dos 36,67% registrados no fim de julho. O sistema é um dos principais responsáveis pelo fornecimento de água à Grande São Paulo e seu nível é acompanhado durante os meses de menor volume de chuvas.

Segundo Tarcísio, o governo trabalha com outras medidas para administrar a disponibilidade de água antes de considerar um racionamento. Entre elas está a redução da pressão na rede de distribuição durante a noite. O procedimento diminui o volume de água distribuído em horários de menor consumo e também busca reduzir perdas provocadas por vazamentos.

A redução da pressão já vinha sendo adotada pela Sabesp e foi ampliada diante da situação dos mananciais. A companhia informou que a estratégia completou um ano em agosto e permitiu economizar aproximadamente 193 bilhões de litros de água no período.

Apesar da queda registrada nos últimos meses, o Cantareira permanece na chamada Faixa 3, de Alerta. Para setembro, essa classificação permite à Sabesp retirar até 27 metros cúbicos de água por segundo do sistema, conforme as regras de operação estabelecidas para o conjunto de reservatórios.

O governador também citou investimentos em obras de interligação entre sistemas e na ampliação da capacidade de reservação como parte das medidas para enfrentar períodos de menor disponibilidade hídrica.

A situação ocorre durante a estação seca, quando os reservatórios tendem a receber menor volume de água. A evolução do Cantareira ao longo de setembro será um dos indicadores para a definição das medidas de abastecimento nos próximos meses.

Embora o governo descarte neste momento um rodízio formal, a redução da pressão da rede já interfere na operação do sistema em determinados horários. A medida busca diminuir o consumo e preservar os reservatórios até a retomada do período de chuvas, em outubro.