Operação Ouro Reverso 2 mira rede que roubava joias e derretia ouro em SP
Polícia Civil cumpre 32 mandados e bloqueia R$ 34,6 milhões de investigados suspeitos de receptação, lavagem de dinheiro e financiamento de novos crimes
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira (24) a Operação Ouro Reverso 2, contra uma organização suspeita de atuar em diferentes etapas de uma cadeia criminosa que começava com roubos e furtos de joias nas ruas e terminava com o derretimento do ouro e sua reinserção no mercado.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 34,6 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados. Também foram autorizados o sequestro de sete veículos e de um imóvel.
A operação é realizada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e ocorre na capital paulista e em Guarulhos, na Grande São Paulo.
Ao todo, os policiais cumprem quatro mandados de prisão e 28 de busca e apreensão. A ação é coordenada pela 3ª Delegacia de Investigações sobre Fraudes Financeiras e Econômicas, da Divisão de Investigações Gerais (DIG) do Deic.
Investigação aponta cadeia de crimes
Segundo a Polícia Civil, o esquema investigado funcionava de maneira estruturada e envolvia diferentes grupos. Os criminosos seriam responsáveis por roubar alianças e outras joias de ouro, enquanto intermediários fariam a ligação com comerciantes e empresas responsáveis pelo processamento do metal.
Um dos pontos investigados fica em uma região do Centro de São Paulo chamada pelos investigadores de “círculo de fogo”. No local, empresas teriam sido usadas para comprar joias de origem criminosa e posteriormente derreter o material.
A estratégia permitiria retirar características que ajudassem a identificar as peças roubadas. Depois de transformado, o ouro poderia voltar ao mercado por meio de empresas e documentação fiscal.
Como funcionaria o esquema
A Polícia Civil dividiu os investigados em três grupos principais: executores, processadores e financiadores.
Os executores seriam responsáveis pelos furtos e roubos de joias. Eles atuariam sob orientação de intermediários, que fariam a conexão com os demais integrantes da organização.
Os processadores seriam formados principalmente por lojistas e receptadores. Eles receberiam o ouro roubado e realizariam etapas como derretimento e remanufatura das peças.
Já os financiadores seriam responsáveis pela lavagem do dinheiro obtido com a comercialização do ouro. Segundo a investigação, empresas de fachada e depósitos fracionados seriam utilizados para dificultar a identificação da origem dos recursos.
Para os investigadores, o derretimento tinha papel fundamental na estrutura criminosa porque eliminava características das joias que poderiam ajudar na identificação da procedência.
O dinheiro obtido posteriormente com a venda do metal seria, ainda segundo a polícia, utilizado para financiar novos roubos e furtos, criando um ciclo de criminalidade, receptação, lavagem de dinheiro e financiamento de novos crimes.
Justiça bloqueia R$ 34,6 milhões
As decisões judiciais determinaram o bloqueio de 13 contas bancárias, que somam exatamente R$ 34.682.364,90.
Também foram determinadas medidas de sequestro de bens, incluindo sete veículos e um imóvel.
A operação mobiliza cerca de 60 policiais civis do Deic, distribuídos em 30 viaturas. Também participam da ação 21 auditores da Receita Estadual e três avaliadores da Caixa Econômica Federal.
Os auditores vão verificar a situação fiscal das empresas investigadas e realizar cruzamentos de documentos.
Já os representantes da Caixa atuarão na avaliação e custódia de eventuais joias, objetos de valor e outros bens apreendidos durante o cumprimento das ordens judiciais.
Primeira fase apreendeu R$ 2,7 milhões
A Operação Ouro Reverso 2 é resultado das investigações iniciadas na primeira fase da operação, realizada em 7 de maio de 2025.
Na ocasião, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão e uma prisão temporária. A Polícia Civil informou ter recuperado aproximadamente R$ 2,7 milhões em ouro e joias, além de apreender R$ 157 mil em dinheiro.
Também foram cassados três CNPJs vinculados a estabelecimentos clandestinos utilizados para o derretimento de ouro.
A primeira etapa da investigação alcançou os municípios de São Paulo, Mogi das Cruzes, Ferraz de Vasconcelos, Mairiporã e Campinas.
Polícia identificou novos integrantes
Durante a primeira fase, Rony Gonçalves foi preso em Ferraz de Vasconcelos. Ele era apontado pelos investigadores como um dos principais negociadores de objetos de ouro roubados.
Segundo a Polícia Civil, Gonçalves integrava um esquema comandado por Suedna Barbosa Carneiro, conhecida como “Mainha do Ouro”, apontada como responsável por dar suporte a grupos envolvidos nos crimes.
A análise do material apreendido após a prisão permitiu, segundo os investigadores, identificar conexões entre assaltantes, comerciantes e operadores financeiros.
Com isso, a polícia conseguiu mapear uma estrutura mais ampla relacionada à receptação de ouro e à lavagem de dinheiro.
A segunda fase da operação tem como objetivo alcançar outros integrantes dessa cadeia, principalmente lojistas, responsáveis por locais de derretimento do ouro e pessoas envolvidas nas movimentações financeiras investigadas.