PF investiga delegado por suposto vazamento de informações sigilosas

Operação Sinon apura venda de dados de investigações a suspeitos de crimes; oito mandados são cumpridos em São Paulo e no Rio Grande do Sul

Por Redação

De acordo com a PF, os dados obtidos eram posteriormente repassados aos investigados

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (19), a Operação Sinon, que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo o vazamento de informações sigilosas de investigações policiais em troca de vantagens financeiras.

Um delegado da própria Polícia Federal está entre os principais alvos da apuração. Segundo a corporação, José Navas Júnior teria utilizado, desde 2023, a função que exercia e o acesso a sistemas internos da instituição para realizar consultas direcionadas sobre pessoas e procedimentos que estavam sob investigação.

De acordo com a PF, os dados obtidos eram posteriormente repassados aos investigados. Com acesso antecipado às informações, os suspeitos poderiam adotar medidas para dificultar ou impedir o cumprimento de diligências policiais.

Investigações envolvem diferentes crimes

As informações que teriam sido vazadas estariam relacionadas a investigações envolvendo organizações criminosas e diferentes modalidades de crimes.

Entre os casos estão apurações sobre contrabando de cigarros, trabalho escravo, lavagem de dinheiro, crimes ambientais e desvios de recursos públicos.

Além do delegado, advogados e empresários também são investigados pela Polícia Federal.

Ao todo, os agentes cumprem oito mandados de busca e apreensão em endereços localizados nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. A Justiça também autorizou medidas de bloqueio e sequestro de bens dos investigados.

As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Federal da Justiça Federal em Marília, no interior de São Paulo.

Delegado é afastado da função

Além das buscas realizadas nesta quarta-feira, a Justiça determinou medidas cautelares contra o delegado investigado.

Entre as determinações estão a suspensão do exercício da função pública e a proibição de acesso às dependências da Polícia Federal, aos sistemas corporativos e aos recursos tecnológicos da instituição.

As medidas têm como objetivo impedir que o investigado continue tendo acesso às ferramentas e informações que, segundo a apuração, teriam sido utilizadas no suposto esquema.

Crimes investigados

A Operação Sinon apura possíveis crimes de violação de sigilo funcional, corrupção passiva e ativa, associação criminosa e embaraço à investigação de organização criminosa.

Segundo a Polícia Federal, as investigações ainda estão em andamento. A corporação busca identificar todos os envolvidos, rastrear a origem e o destino dos recursos que teriam sido movimentados no esquema e dimensionar os possíveis prejuízos causados às investigações afetadas pelos supostos vazamentos.

A defesa do delegado José Navas Júnior é procurada para comentar as acusações. Até a última atualização desta reportagem, não havia manifestação.