Greve na CPTM: entenda o que motivou a paralisação nas linhas 11, 12 e 13

Funcionários protestam contra a concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade à Trivia Trens e cobram garantia dos empregos, enquanto governo e sindicato divergem sobre as negociações.

Por Ana Laura Gonzalez

Até o momento, não há previsão para o fim da paralisação

A greve dos funcionários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), iniciada nesta terça-feira (4), tem como principal motivo a concessão da operação das três linhas à empresa privada Trivia Trens. O movimento foi mantido após uma reunião entre representantes do Governo de São Paulo e do Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB), que terminou sem acordo. Até o momento, não há previsão para o encerramento da paralisação.

Os ferroviários reivindicam a reestatização definitiva das linhas concedidas, a garantia de manutenção de todos os postos de trabalho na CPTM e a aprovação do Projeto de Lei (PL) nº 730/2025, em tramitação na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O projeto prevê que funcionários da estatal possam ser absorvidos por outros órgãos da administração pública estadual após processos de concessão.

Sindicato cobra garantia formal de empregos

Segundo o STEFZCB, que representa cerca de 4.700 empregados da CPTM, a principal reivindicação da categoria é a apresentação de um compromisso formal do governo estadual garantindo a manutenção dos empregos.

De acordo com o sindicato, apenas cerca de 11% dos trabalhadores que atuavam nas linhas concedidas foram incorporados pela Trivia Trens. A entidade também afirma que a CPTM iniciou um processo de reestruturação que inclui um Programa de Demissão Incentivada (PDI), aumentando a preocupação dos funcionários quanto ao futuro da categoria.

Em nota, o sindicato afirmou que a greve foi mantida porque, apesar das negociações realizadas na segunda-feira (3), não houve garantia oficial sobre a preservação dos postos de trabalho.

A entidade declarou ainda que buscou alternativas de negociação antes da paralisação e reforçou que permanece aberta ao diálogo, desde que o governo apresente uma proposta concreta para assegurar os empregos.

Governo diz que apresentou propostas

Em nota oficial, a CPTM e a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) lamentaram a continuidade da greve e afirmaram que apresentaram compromissos durante a reunião com representantes da categoria.

Segundo o governo paulista, foi reiterado o compromisso de preservar os postos de trabalho e de analisar propostas de interesse dos ferroviários, entre elas a absorção de empregados por outros órgãos estaduais, a discussão sobre a incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM e a inclusão dos trabalhadores no Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe).

A administração estadual também afirmou que a paralisação prejudica milhares de passageiros que dependem diariamente do sistema ferroviário e classificou a greve como uma medida que dificulta o avanço das negociações.

Trivia Trens afirma que contratou novos profissionais

A Trivia Trens informou que possui atualmente cerca de 2.400 colaboradores, sendo aproximadamente 2.100 destinados às áreas de operação e manutenção.

Segundo a concessionária, cerca de 230 trabalhadores — aproximadamente 11% do efetivo operacional — são ex-funcionários da CPTM. Os demais profissionais foram contratados pela empresa e receberam mais de 1.300 horas de treinamento teórico e prático antes do início das atividades.

Como ocorreu a concessão

As linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foram concedidas pelo Governo de São Paulo em março de 2025 ao grupo Comporte Participações, controlador das empresas Trivia Trens e TIC Trens.

O contrato prevê investimentos de R$ 14,3 bilhões em ampliação da capacidade, modernização da infraestrutura, construção de novas estações, reformas e redução do intervalo entre os trens.

A operação assistida teve início em maio deste ano, com uma transição gradual entre a CPTM e a concessionária. Em 21 de julho, a Trivia Trens assumiu integralmente a operação das três linhas.

Falhas levaram à retomada temporária pela CPTM

Poucos dias após assumir a operação exclusiva, a concessionária enfrentou problemas técnicos que afetaram milhares de passageiros.

Nos primeiros dias foram registrados atrasos, falhas operacionais e, em 23 de julho, um curto-circuito provocou um incêndio em um trem da Linha 12-Safira.

Diante da sequência de ocorrências, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou que a CPTM reassumisse temporariamente a operação das linhas por um período de 90 dias, enquanto a Trivia Trens promove ajustes em seus procedimentos operacionais.

CPTM confirma reestruturação

Antes mesmo de retomar temporariamente a operação das linhas, a CPTM informou que passa por um processo de readequação do quadro de funcionários em razão do novo modelo de concessões.

Segundo a companhia, parte dos empregados poderá ser transferida para outros órgãos públicos ligados ao transporte, aderir ao Programa de Demissão Incentivada ou ter o vínculo funcional readequado temporariamente.

A estatal afirmou que a medida busca garantir a continuidade das atividades, preservar equipes técnicas e concentrar sua atuação principalmente na operação da Linha 10-Turquesa, além de serviços administrativos, de engenharia e manutenção.