Etecs e Fatecs passam a oferecer atendimento em Libras por videochamada
Serviço será integrado ao programa São Paulo São Libras e permitirá comunicação com intérpretes em tempo real para pessoas surdas nas unidades do Centro Paula Souza.
As Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e as Faculdades de Tecnologia (Fatecs) do Centro Paula Souza (CPS) passarão a oferecer atendimento em Língua Brasileira de Sinais (Libras) por meio de videochamada. O serviço estará disponível em todas as unidades da instituição no Estado de São Paulo e será destinado a estudantes, professores, servidores, colaboradores e visitantes surdos que precisarem de atendimento.
A iniciativa faz parte de uma parceria com o programa São Paulo São Libras, da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Com o acordo, as unidades do Centro Paula Souza terão acesso à plataforma de interpretação remota, que permite a comunicação entre pessoas surdas e ouvintes sem a necessidade de um intérprete presente fisicamente no local.
Rede do Centro Paula Souza atende mais de 300 municípios
O Estado de São Paulo possui 229 Escolas Técnicas (Etecs) e 90 Faculdades de Tecnologia (Fatecs) estaduais, administradas pelo Centro Paula Souza. A rede também conta com 296 classes descentralizadas, que são extensões de ensino vinculadas a uma Etec principal. Ao todo, as unidades estão presentes em mais de 300 municípios paulistas, oferecendo cursos técnicos, de ensino médio e de graduação tecnológica.
O funcionamento do serviço de Libras será feito por meio de um QR Code instalado nas unidades. Ao apontar a câmera do celular ou de outro dispositivo para o código, o usuário será direcionado para a Central de Libras. A partir da conexão, uma videochamada será iniciada com um intérprete, que fará a tradução entre Libras e a língua portuguesa durante o atendimento.
A tecnologia utilizada é baseada em uma plataforma de interpretação por vídeo. O sistema conecta três participantes ao mesmo tempo: a pessoa surda que busca o atendimento, o servidor responsável pela informação e o intérprete de Libras. O profissional acompanha a conversa em tempo real e faz a mediação da comunicação, permitindo que o atendimento seja realizado mesmo quando o funcionário da unidade não domina a língua de sinais.
O modelo permite que os intérpretes atendam diferentes locais do Estado sem precisar se deslocar até cada unidade. Com isso, a estrutura pode ser utilizada conforme a demanda de cada escola ou faculdade.
Segundo o governo paulista, a Central de Libras funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, com uma equipe formada por cerca de 100 intérpretes. Os profissionais atuam na tradução da comunicação entre pessoas surdas e ouvintes e não substituem atividades relacionadas ao ensino, como acompanhamento de aulas, provas ou outras ações pedagógicas.
O atendimento por videochamada já é utilizado em outros serviços públicos estaduais. A ferramenta está disponível em órgãos como delegacias de polícia, Postos de Atendimento ao Trabalhador (PATs), Polos de Empregabilidade Inclusiva (PEIs), unidades do Poupatempo, Defensoria Pública, Instituto do Coração (InCor), Centros de Integração da Cidadania (CICs) e estações do Metrô de São Paulo.
O programa São Paulo São Libras foi criado para ampliar o acesso das pessoas surdas aos serviços públicos. A proposta é oferecer uma alternativa de comunicação em locais onde não há intérpretes disponíveis presencialmente, utilizando recursos digitais para realizar a tradução durante o atendimento.
Nas Etecs e Fatecs, o recurso poderá ser utilizado em situações como solicitações de informações, orientações administrativas, atendimento nas secretarias e outros serviços oferecidos pelas unidades. A implantação busca garantir que pessoas surdas tenham acesso aos procedimentos realizados nas instituições de ensino tecnológico.