CPTM voltará a operar linhas da Trivia após falhas em São Paulo

Retorno da estatal será por 90 dias após sequência de falhas e incêndio em trem da Linha 12-Safira provocar paralisação e transtornos a passageiros

Por Redação

Incidente ocorreu durante o horário de pico e interrompeu a circulação das linhas administradas pela Trivia Trens

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) voltará a atuar na operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade pelos próximos 90 dias, após a sequência de falhas registrada nos primeiros dias de operação exclusiva da concessionária Trivia Trens. A medida foi anunciada nesta quinta-feira (23) pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), depois de um incêndio em uma composição provocar a paralisação das três linhas e causar transtornos a milhares de passageiros.

Segundo o diretor-presidente da Artesp, André Isper, a retomada parcial da operação pela estatal tem como objetivo garantir maior estabilidade ao serviço enquanto são investigadas as causas das ocorrências registradas desde a transferência da concessão.

Retorno da CPTM será temporário

De acordo com a Artesp, a CPTM atuará em conjunto com a Trivia Trens durante um período de 90 dias. Nesse intervalo, o governo estadual pretende revisar os procedimentos operacionais da concessionária e apurar detalhadamente as causas das falhas.

A agência informou que o contrato de concessão firmado em 2025 já prevê a possibilidade de retorno temporário da estatal em situações que comprometam a prestação do serviço.

Além da atuação conjunta, será instaurado um procedimento administrativo para investigar a responsabilidade da concessionária pelos problemas registrados nos primeiros dias de operação.

Incêndio em trem provocou paralisação das linhas

O principal incidente ocorreu na manhã de quinta-feira (23), quando um possível curto-circuito em um trem da Linha 12-Safira provocou um incêndio e interrompeu o fornecimento de energia entre as estações Brás e Sebastião Gualberto.

A ocorrência afetou simultaneamente as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, além do serviço Expresso Aeroporto, provocando atrasos, interrupções e desembarque de passageiros nos trilhos.

Imagens registradas por usuários mostraram o momento em que uma explosão foi seguida pelo surgimento de chamas na parte externa de um vagão. Apesar dos danos materiais, não houve registro de feridos.

Durante a ocorrência, equipes da Polícia Militar auxiliaram passageiros na evacuação das composições, ajudando pessoas a deixarem a via férrea em diferentes pontos da Zona Leste da capital.

Concessionária normalizou circulação após horas de paralisação

Segundo a Trivia Trens, a circulação começou a ser restabelecida ainda durante a manhã e foi totalmente normalizada no período da tarde. A empresa informou que também acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese), com ônibus para atender os passageiros afetados.

A concessionária atribuiu a paralisação a uma ocorrência elétrica provocada por falha em uma composição e afirmou que suas equipes técnicas atuaram para reparar o sistema e restabelecer a operação.

Falhas marcam início da concessão

A Trivia Trens assumiu oficialmente a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade no último dia 21 de julho, após dois meses de operação assistida ao lado da CPTM.

Nos três primeiros dias de operação exclusiva, a concessionária registrou três ocorrências relevantes, aumentando a preocupação da Artesp com a qualidade do serviço.

Durante o período de transição, a Linha 11-Coral também apresentou crescimento expressivo no número de falhas em comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto as linhas 12-Safira e 13-Jade registraram desempenho mais estável.

Concessão prevê investimentos de R$ 14,3 bilhões

Responsável por transportar cerca de 1 milhão de passageiros por dia, a Trivia Trens administra uma malha de aproximadamente 102 quilômetros, que inclui 32 estações e o serviço Expresso Aeroporto.

O contrato de concessão, com duração de 25 anos, prevê R$ 14,3 bilhões em investimentos, incluindo a construção de oito novas estações, ampliação da malha ferroviária, modernização da infraestrutura, renovação de trilhos, sistemas de energia e sinalização, além da incorporação de novos trens à frota.

Segundo a empresa, mais de 1.300 horas de treinamento foram realizadas durante o processo de transição e um plano de recuperação da infraestrutura já está em andamento para reduzir falhas e aumentar a confiabilidade do sistema ferroviário paulista.