Vera Lúcia defende reestatizações e rejeita alianças na disputa em SP
Pré-candidata do PSTU ao governo paulista critica Tarcísio e Haddad, comenta os 5% no Datafolha e apresenta propostas para saúde, educação e economia.
Operária sapateira, professora e fundadora do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Vera Lúcia, de 58 anos, disputa pela primeira vez o Governo de São Paulo. Candidata à Presidência da República em 2018 e 2022, com resultados de menos de 1% dos votos, ela tenta agora levar ao Palácio dos Bandeirantes um programa baseado na reestatização de empresas privatizadas, fortalecimento dos serviços públicos e maior participação dos trabalhadores na administração do Estado.
Em entrevista ao Correio da Manhã(CM), Vera Lúcia (VL)falou sobre as prioridades da campanha, criticou a polarização entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-prefeito Fernando Haddad (PT), comentou o desempenho na pesquisa Datafolha divulgada na semana passada e explicou por que o PSTU manterá candidatura própria, sem alianças com outras legendas de esquerda.
CM – O que motivou sua pré-candidatura ao Governo de São Paulo depois de disputar duas vezes a Presidência da República?
Vera: Quando disputei a Presidência, a tarefa era apresentar um programa para o Brasil. Agora, São Paulo representa um desafio muito grande porque é o principal Estado do país do ponto de vista econômico, concentra cerca de 30% da economia nacional e influencia as principais decisões políticas e econômicas. Queremos apresentar um projeto que parte das necessidades da classe trabalhadora e que discuta um novo modelo para o estado.
CM – Quais são as principais propostas da sua pré-candidatura?
Vera: Defendemos a reestatização das empresas privatizadas, como Sabesp e Enel, mas não da mesma forma que existiam anteriormente. Nossa proposta é que essas empresas sejam administradas pelo Estado com participação dos trabalhadores e fiscalização da população que utiliza os serviços. Também queremos acabar com as terceirizações e com as parcerias público-privadas na saúde e na educação. O objetivo é fortalecer os serviços públicos e garantir que os recursos sejam aplicados diretamente nessas áreas.
CM – A senhora já disse defender mudanças na educação pública. Quais são elas?
Vera: A escola precisa voltar a ser um espaço de ensino e produção do conhecimento. Defendemos o fim das escolas cívico-militares, ampliação dos investimentos na rede pública, realização de concursos e incorporação dos trabalhadores terceirizados ao serviço público. A comunidade escolar deve participar das decisões sobre a gestão e sobre a aplicação dos recursos destinados à educação.
CM – Há propostas também para a economia e o setor produtivo?
Vera: Defendemos a suspensão do pagamento da dívida pública, aumento da tributação sobre grandes empresários e redução de impostos para pequenos empreendedores. Também queremos reestatizar áreas consideradas estratégicas, ampliar o controle público sobre a exploração de recursos minerais, inclusive terras raras, e fortalecer uma política agrícola voltada ao abastecimento da população, em vez de priorizar exclusivamente a exportação.
CM – Como a senhora avalia os principais adversários na disputa pelo Governo de São Paulo?
Vera: O governo Tarcísio representa um projeto baseado em privatizações, terceirizações e redução da presença do Estado. Já Fernando Haddad representa uma política econômica que, na nossa avaliação, mantém como prioridade o pagamento da dívida pública e os interesses dos grandes grupos econômicos. Nós queremos apresentar uma alternativa a essa polarização e mostrar que existe outro projeto para São Paulo.
CM – Existe possibilidade de composição com outros partidos de esquerda durante a campanha?
Vera: Não. Cada partido tem um programa e uma visão de sociedade. O PSTU pretende apresentar seu próprio projeto e permitir que a população conheça uma alternativa diferente. Nosso objetivo é crescer durante a campanha e ampliar esse debate.
CM – A pesquisa Datafolha divulgada na semana passada mostrou a senhora com 5% das intenções de voto, na terceira colocação. Isso mudou a visibilidade da campanha?
Vera: Mudou bastante. Foi preciso aparecer com 5% e ocupar o terceiro lugar para que mais veículos de comunicação passassem a procurar nossa candidatura. Antes disso, praticamente não éramos chamados para entrevistas. Isso demonstra como a legislação eleitoral e a estrutura da campanha acabam favorecendo os partidos maiores, que dispõem de mais recursos e mais tempo de exposição.