Faesp critica Plano Safra 2026/2027 e cobra política agrícola permanente
Federação paulista diz que aumento de recursos não resolve endividamento e aponta falta de previsibilidade e seguro rural como principais falhas do programa.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) emitiu nota após o anúncio do Plano Safra 2026/2027 pelo governo federal, nesta terça-feira (30), que prevê a destinação de R$ 525,1 bilhões à agricultura empresarial, e avaliou que as medidas apresentadas "são insuficientes para enfrentar os desafios estruturais do setor".
De acordo com a entidade, "o acréscimo de cerca de R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior não acompanha a realidade vivida pelos produtores rurais", marcada por "aumento dos custos de produção, juros elevados, eventos climáticos extremos e crescente endividamento". Para a Faesp, "o ponto central não está apenas na ampliação do volume de crédito, mas na ausência de mecanismos concretos para reestruturar passivos e garantir sustentabilidade financeira ao produtor".
A federação destaca que, "embora o Plano Safra represente uma das principais políticas de financiamento do agronegócio, muitos produtores enfrentam uma situação em que o crédito novo acaba sendo direcionado ao pagamento de dívidas anteriores, reduzindo a capacidade de investimento e expansão da atividade".
Outro ponto criticado é a falta de previsibilidade da política agrícola. A Faesp afirma que "a dependência de anúncios anuais gera incertezas sobre juros, regras e disponibilidade de recursos, dificultando o planejamento de longo prazo em um setor que exige decisões estratégicas com horizonte de vários anos". A entidade defende a criação de uma política de Estado permanente para o agronegócio, com regras estáveis e maior segurança para investimentos.
A nota também ressalta a necessidade de uma abordagem mais integrada da política agrícola, que contemple pequenos, médios e grandes produtores. Segundo a federação, apesar dos recordes de produção, isso não se reflete de forma uniforme na renda do campo, especialmente entre pequenos e médios produtores, que representam a maior parte das propriedades rurais em São Paulo.
A Faesp ainda aponta como fragilidade a cobertura limitada do seguro rural diante da exposição crescente a riscos climáticos, como secas, enchentes, geadas e incêndios. Para a entidade, a baixa adesão e alcance do instrumento deixam parte significativa da produção vulnerável a perdas.
Na avaliação da federação, o Plano Safra só terá impacto efetivo se vier acompanhado de medidas estruturantes, como a reestruturação do endividamento, ampliação do seguro rural, oferta de crédito compatível com a realidade do campo e a consolidação de uma política agrícola de longo prazo, capaz de garantir previsibilidade e estabilidade ao setor.