Pesquisa aponta redução do trabalho doméstico entre mulheres de SP

Fundação Seade mostra queda de 7% no número de trabalhadoras domésticas e redução dos vínculos formais em São Paulo

Por Da Redação

40,5% das domésticas concluído o ensino médio.

O número de mulheres ocupadas nos serviços domésticos no Estado de São Paulo vem diminuindo nos últimos anos. É o que mostra levantamento da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), que aponta uma redução da participação dessas trabalhadoras no conjunto das mulheres ocupadas no estado.

Em 2012, as empregadas domésticas representavam 14,2% do total de mulheres ocupadas. Em 2024, o percentual caiu para 11,5% e, em 2025, chegou a 10,6%, o equivalente a cerca de 1,1 milhão de trabalhadoras.

A pesquisa indica que a queda mais recente foi registrada entre 2024 e 2025, quando o contingente de profissionais do setor diminuiu 7%. O principal fator para o recuo foi a redução do número de trabalhadoras com carteira assinada, que caiu 17,2% no período.

Entre as profissionais sem registro formal, os resultados foram diferentes. Houve retração de 5,5% entre aquelas que não contribuíam para a Previdência Social, enquanto o grupo de trabalhadoras sem carteira que realizava contribuições previdenciárias cresceu 12,4%.

Com isso, a participação das domésticas formalizadas diminuiu. Em 2024, elas representavam 33% do total da categoria. Em 2025, passaram a responder por 29%. Já as trabalhadoras sem carteira aumentaram sua participação de 67% para 71%.

Apesar das mudanças observadas no mercado, o trabalho doméstico continua sendo uma atividade predominantemente feminina. Em 2025, mais de 90% dos ocupados no setor eram mulheres, mesma proporção registrada no ano anterior.

Perfil

O estudo também traça o perfil dessas profissionais. Entre as trabalhadoras domésticas, 56,5% eram negras, 64% tinham entre 40 e 59 anos de idade e 56% eram chefes de domicílio. Além disso, 40,5% haviam concluído o ensino médio.

A presença de mulheres negras na atividade aumentou ao longo dos últimos anos. Em 2012, elas representavam 48% da categoria. Já em 2025, passaram a corresponder a 56,5%.

A escolaridade também avançou. Em 2012, mais da metade das trabalhadoras não havia concluído o ensino fundamental. Atualmente, uma parcela significativa já completou o ensino médio.

Em relação às condições de trabalho, as domésticas com carteira assinada cumpriam, em média, 39 horas semanais em 2025 — uma hora a mais do que a média das mulheres ocupadas no estado e dez horas acima da jornada das profissionais sem registro.

A remuneração, entretanto, segue abaixo da média. O rendimento médio por hora das trabalhadoras domésticas foi de R$ 12,86 em 2025, enquanto o conjunto das mulheres ocupadas em São Paulo recebia mais de R$ 24 por hora.