ANSN investiga ocorrência com material radioativo no IPEN da USP

Roupas de dois funcionários foram contaminadas em maio; exames não apontaram contaminação nos trabalhadores

Por Da Redação

IPEN tem até 18 de junho para prestar esclarecimentos.

A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) investiga uma ocorrência envolvendo material radioativo registrada em maio no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), localizado no campus da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista. O caso veio a público nesta semana após a divulgação de informações sobre a apuração conduzida pelo órgão regulador.

Segundo a ANSN, dois funcionários do instituto tiveram as roupas contaminadas por material radioativo durante uma atividade nas instalações do IPEN. Os trabalhadores foram submetidos a exames para verificar uma eventual contaminação interna ou externa, mas os resultados não identificaram contaminação nos profissionais.

A autoridade nuclear informou que notificou formalmente o instituto e estabeleceu prazo até 18 de junho para que sejam apresentados esclarecimentos oficiais sobre as circunstâncias da ocorrência. O objetivo é identificar as causas do incidente, verificar se os protocolos de segurança foram cumpridos e avaliar a necessidade de medidas corretivas.

Em nota, o IPEN afirmou que a situação foi controlada e que não houve riscos à população. O instituto também destacou que os funcionários envolvidos passaram por avaliações radiológicas, sem indicação de exposição que pudesse causar danos à saúde. A instituição informou ainda que segue colaborando com as investigações e com os procedimentos de fiscalização conduzidos pela ANSN.

Localizado dentro da USP, o IPEN é uma das principais instituições brasileiras na área nuclear. Entre suas atividades está a produção de radiofármacos utilizados em exames de diagnóstico e tratamentos médicos em hospitais de todo o país. O instituto é considerado um dos maiores fornecedores desses insumos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

A investigação ocorre em um momento de atenção sobre a segurança operacional das instalações nucleares e radiológicas do país. A análise da ANSN deverá examinar registros, relatórios técnicos e procedimentos adotados pelos responsáveis pela operação da área onde ocorreu a contaminação das vestimentas.

Até o momento, não há registro de contaminação ambiental nem de exposição da população ao material radioativo. A apuração busca esclarecer se houve falha operacional, problema em equipamentos ou outro fator que tenha contribuído para a ocorrência.

Após receber os esclarecimentos do IPEN, a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear poderá determinar novas diligências, emitir recomendações ou adotar medidas administrativas, caso identifique irregularidades. O prazo para a entrega das informações pelo instituto termina em 18 de junho.