Integração do transporte metropolitano domina debate na Alesp
Seminário reúne especialistas, parlamentares e representantes da sociedade civil para discutir tarifa unificada, integração entre modais e melhorias na mobilidade dos 39 municípios da Região Metropolitana de São Paulo
A criação de um sistema integrado de transporte público para a Região Metropolitana de São Paulo esteve no centro dos debates de um seminário realizado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O encontro reuniu especialistas, representantes políticos e integrantes da sociedade civil para discutir alternativas que ampliem a integração entre ônibus municipais, linhas metropolitanas, trens e metrô, beneficiando milhões de usuários que circulam diariamente entre os 39 municípios da região.
Promovido pelo deputado estadual Maurici (PT), o evento destacou desafios enfrentados pelos passageiros que dependem de diferentes meios de transporte para trabalhar, estudar ou acessar serviços públicos. Entre os principais temas discutidos estiveram a adoção de tarifas integradas, a modernização dos sistemas de bilhetagem e a construção de um modelo metropolitano capaz de reduzir custos e tornar os deslocamentos mais eficientes.
Durante o seminário, Maurici afirmou que o atual sistema impõe gastos elevados aos usuários que precisam combinar diferentes modais ao longo do trajeto. Segundo ele, a ausência de integração tarifária entre municípios e operadores acaba aumentando o custo das viagens e dificultando o acesso da população ao transporte coletivo.
O parlamentar observou que a situação é ainda mais complexa para moradores de cidades periféricas da região metropolitana, que frequentemente precisam utilizar mais de uma linha ou modal para chegar ao destino. Em muitos casos, cada etapa da viagem exige o pagamento de uma nova tarifa, o que eleva significativamente as despesas de deslocamento.
Além do impacto financeiro, o deputado ressaltou que a falta de integração pode resultar em trajetos mais longos e desgastantes. Segundo ele, muitos usuários optam por percorrer grandes distâncias a pé para evitar custos adicionais com novas passagens.
A discussão também abordou os reflexos do transporte público na qualidade de vida da população. Para Maurici, um sistema metropolitano integrado contribuiria para reduzir o tempo gasto nos deslocamentos diários, além de ampliar o acesso a oportunidades de trabalho, educação, lazer e convivência social.
O parlamentar defendeu a implementação de um modelo que permita ao usuário utilizar diferentes modais por meio de um único bilhete, facilitando a mobilidade entre cidades da região. Na avaliação dele, a medida também poderia contribuir para a diminuição do uso excessivo de veículos particulares, reduzindo congestionamentos, acidentes de trânsito e impactos ambientais.
Representantes de movimentos sociais e coletivos ligados à mobilidade urbana reforçaram a necessidade de avanços na integração do sistema. Matheus Oliveira, integrante do mandato coletivo JuntOz, de Osasco, destacou que a população das periferias enfrenta maiores dificuldades devido à oferta limitada de transporte em determinados bairros.
Segundo ele, a deficiência do serviço tem levado parte dos moradores a recorrer a alternativas como motocicletas por aplicativo. Embora apresentem menor tempo de espera, esses serviços, afirmou, envolvem riscos maiores e acabam sendo escolhidos por falta de opções adequadas de transporte coletivo.
Outro tema discutido foi a modernização tecnológica dos sistemas de pagamento. O cofundador da empresa especializada em bilhetagem OnBoard, Luiz Renato Mattos, apresentou modelos que poderiam facilitar a integração entre operadores e municípios.
Uma das propostas envolve a adoção de sistemas baseados em contas digitais vinculadas ao usuário. Nesse formato, os créditos ficam centralizados em uma única conta, independentemente do cartão ou dispositivo utilizado para acessar o transporte. Segundo Mattos, a tecnologia amplia a segurança das operações e facilita a interoperabilidade entre diferentes redes de transporte.
O seminário também trouxe discussões sobre o marco legal do transporte público coletivo no Brasil. O especialista em mobilidade Rafael Calabria destacou que a legislação em debate busca fortalecer a cooperação entre municípios, estados e União na gestão da mobilidade urbana.
Entre os objetivos da proposta está o incentivo à formação de consórcios regionais e metropolitanos voltados à integração dos serviços. De acordo com Calabria, a medida pode facilitar a implantação de sistemas unificados, com maior coordenação operacional, tarifas integradas e ampliação do acesso ao transporte público.
As propostas debatidas durante o encontro deverão contribuir para futuras discussões sobre políticas de mobilidade urbana na Região Metropolitana de São Paulo, considerada a maior concentração urbana do país e responsável por uma das mais complexas redes de deslocamento do Brasil.