SP inaugura centro para desenvolver soluções contra enchentes

Projeto reúne instituições públicas, universidades e empresas para criar tecnologias e apoiar políticas de prevenção a enchentes e desastres urbanos

Por Redação

Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, e Filipe Falcetta, coordenador do centro, em evento no IPT

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e parceiros do setor público e privado inauguraram na terça-feira (19) o Centro de Ciência para o Desenvolvimento Cidades Resilientes a Inundações. A iniciativa tem como objetivo desenvolver soluções tecnológicas e subsidiar políticas públicas voltadas à prevenção e mitigação de enchentes e outros desastres urbanos.

Segundo levantamento do governo federal realizado em 2024, o Brasil possui 1.942 municípios suscetíveis a desastres relacionados a deslizamentos de terra, alagamentos, enxurradas e inundações.

O coordenador do novo centro, Filipe Falcetta, afirmou que o município de São Paulo funciona como um laboratório urbano por reunir diferentes realidades sociais e ambientais em um mesmo território. De acordo com ele, o enfrentamento do problema exige atuação integrada entre diversas instituições.

Entre os parceiros do projeto estão a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, a SP Águas, o Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô-SP), a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), além de universidades como a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do ABC (UFABC), Insper, Universidade Presbiteriana Mackenzie e Universidade Nove de Julho (Uninove), além de instituições internacionais.

O projeto prevê investimento de R$ 15 milhões da Fapesp, com o mesmo valor sendo aportado pelos demais parceiros como contrapartida. O diretor-presidente do IPT, Anderson Ribeiro Correia, afirmou que a proposta busca incorporar soluções tecnológicas modernas para o enfrentamento das inundações, em diálogo com as comunidades afetadas.

Segundo ele, empresas participantes também irão testar tecnologias que poderão futuramente ser incorporadas às soluções desenvolvidas pelo centro.

O presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago, destacou que os Centros de Ciência para o Desenvolvimento representam uma estratégia voltada à aplicação da ciência e da tecnologia na resolução de problemas do poder público.

Atualmente, a fundação apoia 83 centros desse tipo, com investimento total de R$ 570 milhões. De acordo com Zago, os projetos recebem apoio inicial de cinco anos, com possibilidade de iniciativas de longa duração graças à previsibilidade orçamentária da instituição.

Durante o evento de inauguração, especialistas também defenderam soluções urbanas baseadas na natureza e ações descentralizadas para reduzir os impactos das enchentes.

O urbanista Valter Caldana afirmou que grandes obras de infraestrutura deveriam ser acompanhadas de pequenas intervenções urbanas sustentáveis, capazes de ampliar a drenagem e reduzir os alagamentos.

Já a pesquisadora Tatiana Tucunduva Philippi Cortese apresentou o conceito de “Build Back Better”, que propõe reconstruções mais resilientes após desastres naturais, incorporando tecnologias e estratégias de adaptação climática.

Ela também ressaltou a importância da cooperação entre governos, universidades, empresas e comunidades para ampliar a capacidade de resposta aos eventos climáticos extremos.