Polícia faz operação contra infiltração do PCC em prefeituras de São Paulo

Investigação apura lavagem de dinheiro, influência em contratos públicos e financiamento de candidaturas; Justiça bloqueou mais de R$ 500 milhões em bens

Por Por Redação

Operação Contaminatio cumpriu mandados em cidades paulistas e outros estados para desarticular esquema atribuído ao PCC

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou na segunda-feira (27) a Operação Contaminatio, que investiga um esquema de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em prefeituras paulistas, com suspeitas de lavagem de dinheiro do tráfico, influência em contratos públicos e financiamento de campanhas eleitorais. A ação cumpriu mandados em cidades da Grande São Paulo, interior, litoral e também em outros estados.

Segundo as investigações, o grupo criminoso buscava aproximar aliados de administrações municipais para facilitar negócios, movimentar recursos de origem ilícita e ampliar sua influência política. A Polícia Civil informou ter identificado ao menos seis pessoas politicamente expostas, algumas delas ocupando cargos de primeiro escalão em prefeituras do estado. Nenhuma exerceria mandato eletivo, mas todas teriam sido indicadas politicamente.

Ao todo, a operação cumpriu cinco mandados de prisão temporária e 22 de busca e apreensão. As diligências ocorreram na capital paulista, Guarulhos, Santo André, Mairinque, Campinas, Ribeirão Preto e Santos, além de Brasília, Goiânia, Aparecida de Goiânia e Londrina. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 513,6 milhões em bens e ativos ligados aos investigados, segundo balanço divulgado pelos agentes.

A apuração é conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes e é considerada um desdobramento de investigações anteriores que analisaram movimentações financeiras suspeitas e o uso de empresas para ocultação de patrimônio. A partir da análise de aparelhos eletrônicos e dados bancários, os investigadores identificaram conexões entre operadores financeiros, empresários e agentes públicos.

Entre os mecanismos usados pelo grupo, segundo a polícia, estaria uma plataforma digital de pagamentos destinada à emissão de boletos e recolhimento de taxas municipais. O sistema teria servido para dar aparência lícita a recursos provenientes do tráfico de drogas, misturando valores ilegais com operações formais. Empresas de fachada e contratos simulados também estariam entre as estratégias adotadas para circular recursos sem levantar suspeitas.

As investigações também apontam tentativa de influência eleitoral nas eleições municipais de 2024. De acordo com a polícia, operadores do esquema teriam atuado no financiamento de candidaturas consideradas estratégicas para os interesses da facção, com o objetivo de obter acesso a estruturas públicas e facilitar contratos futuros. A suspeita é de que o grupo buscasse ampliar presença em setores administrativos sensíveis.

Entre os presos está o ex-vereador de Santo André Thiago Rocha de Paula, apontado pelos investigadores como articulador do esquema. Outro alvo citado nas apurações é Adair Antônio de Freitas Meira, descrito como lobista com atuação no meio político. As defesas dos investigados não haviam se manifestado até a última atualização desta reportagem.

A Polícia Civil informou que a operação de segunda-feira representa uma nova fase do combate à atuação financeira e política do crime organizado em São Paulo. O material apreendido será analisado e poderá ampliar a lista de envolvidos, além de subsidiar novas medidas judiciais nos próximos dias. Novas etapas da investigação não estão descartadas.