Greve na USP cresce e já atinge 15 faculdades e institutos
Greve cobra aumento de bolsas, melhorias nos restaurantes e se soma à paralisação de servidores
A greve de estudantes da Universidade de São Paulo (USP) chegou a 15 faculdades e institutos, na capital e no interior, ampliando a mobilização iniciada na semana passada e elevando a pressão sobre a reitoria. O movimento reúne alunos de diferentes cursos em torno de pautas ligadas à permanência estudantil, condições de alimentação e críticas à gestão universitária.
As adesões mais recentes foram aprovadas em assembleias realizadas nos últimos dias por estudantes do Instituto de Relações Internacionais, Instituto de Física e Instituto de Ciências Biomédicas. Também decidiram entrar em greve a Faculdade de Ciências Farmacêuticas, a Faculdade de Educação e a Escola de Comunicações e Artes (ECA).
Antes disso, já haviam aprovado paralisação a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), a Escola de Enfermagem e os institutos de Química, Psicologia, Geociências e Oceanografia. A Escola Politécnica (Poli), tradicionalmente menos ligada a movimentos grevistas, também decidiu aderir, em votação que terminou com 322 votos favoráveis e 224 contrários.
Na semana passada, estudantes da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design (FAU) e da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), na zona leste da capital, também aprovaram participação no movimento. Outras unidades ainda realizam debates e assembleias para decidir se entram ou não na paralisação.
A USP possui 42 unidades de ensino e pesquisa distribuídas entre a capital paulista e campi no interior do estado. A expectativa dos organizadores da mobilização é de que novas adesões sejam confirmadas nos próximos dias.
Permanência estudantil
Entre as principais reivindicações dos estudantes está o reajuste no valor das bolsas e auxílios destinados à permanência universitária. Alunos afirmam que os benefícios atuais não acompanham o custo de vida e dificultam a permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O grupo também pede ampliação do número de vagas em moradia estudantil e maior investimento em políticas de assistência.
Outro foco de protesto são os restaurantes universitários. Nas últimas semanas, circularam relatos de refeições estragadas e presença de larvas em alimentos servidos em algumas unidades. Os serviços são terceirizados, e estudantes cobram maior fiscalização dos contratos e melhorias imediatas na qualidade da alimentação oferecida. Em alguns campi, filas extensas e horários reduzidos de atendimento também aparecem entre as reclamações.
Também gera insatisfação uma proposta de regulamentação dos espaços ocupados por centros acadêmicos. Segundo representantes estudantis, a medida pode limitar atividades culturais, políticas e formas de arrecadação promovidas pelas entidades dentro da universidade.
A mobilização estudantil ocorre paralelamente à greve dos servidores técnico-administrativos, iniciada em 14 de abril. A categoria protesta contra a criação da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace), aprovada pelo Conselho Universitário no fim de março.
A medida prevê pagamento adicional de R$ 4.500 para docentes que assumirem projetos considerados estratégicos, como oferta de disciplinas em inglês e ações de extensão. Estimativas divulgadas anteriormente apontam impacto anual de R$ 238,4 milhões aos cofres da universidade.
Em nota, a reitoria da USP afirmou que a gratificação busca valorizar atividades acadêmicas e fortalecer a carreira docente, além de estimular a excelência universitária. A administração informou ainda reajuste de benefícios aos servidores e disse manter políticas voltadas à permanência estudantil.
Sobre os restaurantes universitários, a universidade declarou que equipes técnicas realizam vistorias nas unidades para apurar as denúncias apresentadas por alunos e adotar as medidas administrativas cabíveis. Até o momento, a reitoria não indicou prazo para negociação com estudantes e servidores em greve. Integrantes do movimento estudantil afirmam que novas assembleias serão realizadas ao longo da semana para avaliar os próximos passos e discutir eventual ampliação da paralisação para outras unidades da universidade. A depender das deliberações, o número de cursos afetados pode aumentar nos próximos dias.