Hidrovia Tietê-Paraná entra na fase final de vistoria, com obra em 97%
Intervenção no trecho paulista deve triplicar a capacidade do transporte na hidrovia
As obras de ampliação do canal de Nova Avanhandava, na Hidrovia Tietê-Paraná, atingiram 97% de execução e passaram, na quarta-feira (15), pela última vistoria técnica antes da entrega definitiva, prevista para junho. Com investimento de cerca de R$ 300 milhões, a intervenção é uma das principais obras logísticas em andamento no país. A inspeção foi conduzida pelo subsecretário de Logística e Transportes da Semil, Denis Gerage Amorim, marcando a fase final do projeto e consolidando um dos mais relevantes avanços recentes na infraestrutura hidroviária paulista.
Em estágio avançado, a obra deve triplicar a capacidade de transporte hidroviário, passando de aproximadamente 2,5 milhões para até 7 milhões de toneladas por ano. O ganho consolida um novo patamar de eficiência no escoamento da produção agrícola e industrial, reduzindo custos logísticos e ampliando a competitividade. O projeto também gera impacto direto na economia regional, com cerca de 250 empregos diretos (dados de abril de 2026) e aproximadamente 750 indiretos ao longo da cadeia produtiva.
Localizada no noroeste paulista, a hidrovia é um dos principais corredores logísticos do Brasil, conectando regiões produtoras do Centro-Oeste e Sudeste ao Porto de Santos, principal porta de saída das exportações nacionais. A ampliação do canal fortalece esse eixo estratégico, amplia a capacidade de navegação e contribui para a diversificação da matriz de transporte, reduzindo a dependência do modal rodoviário.
A intervenção ocorre a jusante da eclusa de Nova Avanhandava, entre os municípios de Buritama e Brejo Alegre, e envolve o desmonte de rochas ao longo de cerca de 16 quilômetros. Ao final, aproximadamente 553 mil m³ de rochas terão sido removidos — volume equivalente a mais de 221 piscinas olímpicas — permitindo ampliar o canal para cerca de 60 metros de largura e ao menos 3,5 metros de profundidade, garantindo melhores condições de navegabilidade ao longo de todo o ano.
Um dos principais diferenciais da obra é o uso combinado de técnicas tradicionais com explosivos e tecnologia de plasma, ainda pouco difundida no setor hidroviário. O método utiliza cartuchos acionados por corrente elétrica, que provocam uma reação termoquímica exotérmica a partir de sais metálicos, gerando expansão gasosa em ambiente confinado. Esse processo fragmenta as rochas com alta eficiência e baixa propagação de vibrações, aumentando a precisão das intervenções e reduzindo riscos estruturais.
Além disso, a tecnologia contribui para a preservação da fauna aquática ao ser associada a sistemas de cortina de bolhas, que ajudam a afastar os peixes da área de intervenção. Os resultados já indicam ganhos relevantes em eficiência operacional e segurança ambiental, reforçando o caráter inovador do projeto. A mudança da matriz de transporte também traz benefícios diretos, com redução estimada de até 82% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação ao transporte rodoviário.
Durante a vistoria, foram entregues oito novos pontos de espera ao longo do canal, estruturas fundamentais para apoiar a operação da hidrovia. Esses espaços funcionam como áreas de suporte para embarcações e equipes envolvidas no processo de eclusagem, sistema que permite a transposição de desníveis nos rios. Com isso, o tempo de espera pode ser reduzido em cerca de 30%, aumentando a fluidez do tráfego e a eficiência logística.
A ampliação do canal também é essencial para garantir a navegabilidade mesmo em períodos de estiagem severa, reduzindo riscos de paralisação no escoamento de cargas. Antes da retomada pelo Governo de São Paulo, em 2023, as obras estavam paralisadas desde 2019, o que agravou os impactos das crises hídricas de 2021 e 2022, semelhantes às registradas em 2014 e 2015, quando os reservatórios atingiram níveis críticos.
A decisão de reativar o projeto representa uma estratégia de longo prazo para assegurar o escoamento da produção.