Butantan firma parceria internacional para desenvolver terapia contra câncer
Acordo visa ampliar acesso à terapia no Brasil; tecnologia é voltada para pacientes que não responderam a tratamentos convencionais
O Instituto Butantan firmou um acordo de licenciamento de tecnologia com a biofarmacêutica chinesa IASO Bio para desenvolver no Brasil uma terapia celular CAR-T voltada a doenças hematológicas, como cânceres do sangue. O tratamento utiliza células do sistema imunológico do próprio paciente, modificadas geneticamente, para combater a doença.
A produção será realizada no Núcleo de Terapias Avançadas de São Paulo (Nutera-SP), coordenado pelo Butantan e equipado para esse tipo de tecnologia. A instituição já desenvolve outra terapia CAR-T em parceria com o Hemocentro de Ribeirão Preto, também voltada a doenças hematológicas.
O desenvolvimento local por uma instituição pública pode reduzir significativamente os custos e facilitar a futura incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, esse tipo de tratamento pode chegar a US$ 500 mil por paciente e está disponível apenas na rede privada no Brasil.
Além da redução de custos, a internalização da tecnologia representa um avanço estratégico para a autonomia científica e produtiva do país. Com a produção nacional, o Brasil reduz a dependência de terapias importadas e amplia a capacidade de resposta do sistema público diante de doenças complexas. A iniciativa também deve impulsionar a formação de profissionais especializados e o desenvolvimento de novas pesquisas na área de terapias avançadas, consolidando o estado de São Paulo como um dos principais polos de inovação em saúde da América Latina.
Segundo o diretor do Butantan, Esper Kallás, a iniciativa amplia o acesso a tecnologias inovadoras e fortalece a atuação da instituição na saúde pública. Para Vanderson Rocha, o desenvolvimento nacional representa um marco científico e pode beneficiar pacientes que não respondem às terapias convencionais.
Fundada em 2017, a IASO Bio atua no desenvolvimento de terapias celulares e produtos biológicos para doenças hematológicas e autoimunes. De acordo com seu CEO, Jinhua Zhang, a parceria com o Butantan é estratégica para ampliar o acesso à tecnologia na América Latina.
A terapia CAR-T surgiu nos Estados Unidos e consiste em modificar linfócitos T para que reconheçam e ataquem células tumorais. No Brasil, o Butantan trabalha com essa tecnologia desde 2022, em parceria com instituições como a Faculdade de Medicina da USP e o Hemocentro de Ribeirão Preto. Estudos já demonstraram cerca de 80% de eficácia na redução de tumores.