Agronegócio paulista cresce e emprega 4,34 milhões

Agroindústria impulsiona crescimento; presença feminina e escolaridade avançam

Por Ana Laura Gonzalez - SP

O crescimento foi de 0,3% em relação a 2023, equivalente a 11.395 pessoas a mais

Pesquisa inédita da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) mostra que a população ocupada do agronegócio paulista encerrou 2024 com 4,34 milhões de trabalhadores, representando 17,2% da população empregada do estado e 15,3% do setor no país. O crescimento foi de 0,3% em relação a 2023, equivalente a 11.395 pessoas a mais.

Entre os segmentos do agronegócio, a agroindústria foi a única a registrar expansão significativa, com aumento de 9,2% no número de ocupados, ou 91.450 pessoas, impulsionada por setores como massas (+43.410), móveis de madeira (+10.791), têxteis de base natural (+9.981), abate de animais (+9.556) e bebidas (+9.134).

O segmento de agrosserviços apresentou retração de 2,3%, com perda de 51.523 trabalhadores, especialmente no comércio (-26.658) e transporte, armazenagem e correio (-4.858). Já os insumos tiveram queda de 1,7%, totalizando 2.129 pessoas a menos, com destaque negativo para máquinas agrícolas (-6.016) e fertilizantes (-1.967), enquanto a produção de rações cresceu em 5.544 trabalhadores. O segmento primário registrou a maior redução relativa, de 3,9%, afetando 26.403 ocupados, especialmente em cana-de-açúcar (-5.557), horticultura (-5.468) e soja (-5.334). Houve crescimento em pesca e aquicultura (+3.773), produção de sementes e mudas (+3.215), uva (+2.305) e flores e plantas ornamentais (+1.073).

Em termos de participação, os agrosserviços concentram 51% do emprego no agronegócio paulista (2,23 milhões), seguidos pela agroindústria (25%, 1,1 milhão), segmento primário (15%, 653 mil) e insumos (3%, 124 mil). A composição reflete predomínio das atividades fora da porteira, diferindo do perfil nacional, em que a agropecuária representa 46% das ocupações e a agroindústria 16,8%.

Quanto à formalização, 55% da população ocupada possuía carteira assinada, enquanto os trabalhadores sem registro mantiveram 11% da força de trabalho. A categoria conta própria subiu de 16% em 2012 para 21% em 2024, e empregadores representaram 4% do total.

O nível de escolaridade também cresceu: trabalhadores com ensino médio representam 49% da população ocupada, enquanto os de nível superior alcançaram 27%, com aumento de 28.077 pessoas entre 2023 e 2024. O número de mulheres cresceu 1,6% no período, totalizando 1,73 milhão, frente a 2,61 milhões de homens, evidenciando maior inserção feminina em funções fora da porteira, como agrosserviços e agroindústria.

O levantamento reforça o papel estrutural do agronegócio paulista no mercado de trabalho, com destaque para a industrialização e crescente formalização, acompanhadas de avanço na qualificação e participação feminina.