Secretaria da Fazenda de SP é alvo de operação contra fraude tributária
Investigação do MP aponta possível esquema para manipular ressarcimentos de ICMS
Uma operação do Ministério Público de São Paulo investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo servidores da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo suspeitos de manipular procedimentos fiscais para favorecer empresas.
Batizada de "Fisco Paralelo", a ação foi deflagrada pelo Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos (GEDEC) e cumpriu 22 mandados de busca e apreensão em cidades como São Paulo, Campinas, Vinhedo e São José dos Campos. O objetivo é reunir provas sobre a atuação de uma possível organização criminosa voltada à obtenção irregular de benefícios tributários.
De acordo com as investigações, o esquema envolveria a manipulação de processos relacionados ao ressarcimento de ICMS-ST e à liberação de créditos acumulados de ICMS, mecanismos legais que permitem às empresas recuperar valores pagos a mais em determinadas operações. A suspeita é de que esses procedimentos tenham sido direcionados mediante pagamento de propina a agentes públicos, com a participação de servidores públicos em diferentes níveis da estrutura administrativa.
As diligências foram realizadas em endereços ligados a profissionais que atuam em setores estratégicos da secretaria, incluindo delegacias regionais tributárias na capital e na região metropolitana, além de áreas responsáveis pela fiscalização e análise de créditos fiscais. Entre os locais citados estão unidades como as delegacias regionais da Lapa, Butantã, ABCD e Osasco, além da Diretoria de Fiscalização (DIFIS).
Segundo o Ministério Público, há indícios de que o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas e possível participação de intermediários. A investigação também apura a prática de lavagem de dinheiro, com uso de mecanismos para ocultar a origem dos valores obtidos de forma ilícita.
A operação contou com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do CyberGAECO, do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA) e da Polícia Militar. Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos documentos, equipamentos eletrônicos e mídias digitais que devem subsidiar o avanço das investigações.
O foco da apuração é identificar a extensão do esquema, os valores envolvidos e todos os possíveis beneficiários das irregularidades. O Ministério Público também busca verificar se houve prejuízo aos cofres públicos e eventual impacto na arrecadação estadual.
Casos desse tipo acendem alerta sobre a vulnerabilidade de sistemas de controle em áreas sensíveis da administração tributária, especialmente em processos que envolvem a concessão de benefícios fiscais e a liberação de créditos. Especialistas apontam que fraudes nesses mecanismos podem gerar prejuízos significativos ao erário, além de comprometer a isonomia concorrencial entre empresas.
O caso também chama atenção para a complexidade dos mecanismos tributários envolvidos, como o ICMS-ST e os créditos acumulados, que exigem análise técnica detalhada e controle rigoroso por parte do poder público. Para investigadores, eventuais falhas ou manipulações nesses processos podem abrir brechas para fraudes sofisticadas, dificultando a detecção imediata e ampliando os prejuízos. O avanço das investigações poderá indicar a necessidade de revisão de procedimentos internos e reforço nos mecanismos de auditoria.
A apuração segue em andamento e não há confirmação sobre oferecimento de denúncia ou afastamento de servidores. O material apreendido será analisado para aprofundar a investigação e esclarecer o funcionamento do suposto esquema.
Em nota, o governo de São Paulo informou que a operação contou com a atuação integrada de órgãos estaduais e ressaltou que a gestão não compactua com irregularidades. Segundo o comunicado, eventuais desvios de conduta serão apurados com rigor, com adoção das medidas administrativas e legais cabíveis.