Audiência na Alesp defende Cuba e critica bloqueio

Evento reúne autoridades e reforça apelos por negociação internacional

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Durante a audiência, participantes também destacaram iniciativas de solidariedade internacional

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo realizou, na quarta-feira (18), uma audiência pública dedicada à discussão da soberania de Cuba e à crítica às sanções econômicas impostas ao país. O encontro foi proposto pelo deputado estadual Paulo Fiorilo (PT), coordenador do Grupo de Amizade Brasil-Cuba na Casa.

Durante a abertura, o parlamentar leu um manifesto que aponta impactos das medidas adotadas pelos Estados Unidos, especialmente no fornecimento de petróleo à ilha. Segundo o documento, as restrições econômicas afetam diretamente as condições de vida da população cubana e comprometem serviços essenciais.

O texto também defende a abertura de negociações com participação de organismos internacionais, com o objetivo de buscar soluções diplomáticas para a crise. A proposta enfatiza a necessidade de garantir condições de bem-estar, estabilidade e dignidade à população.

O cônsul-geral de Cuba em São Paulo, Benigno Pérez, afirmou que a realização da audiência reforça laços históricos entre os dois países. Já o embaixador cubano no Brasil, Víctor Cairo, declarou que o Brasil pode exercer papel relevante no debate internacional sobre o bloqueio econômico e suas consequências.

A relação entre Cuba e Estados Unidos é marcada por tensões desde a segunda metade do século XX. Após a Revolução Cubana de 1959 e o alinhamento do país à União Soviética, o governo norte-americano adotou medidas econômicas e diplomáticas restritivas. Entre elas, destacam-se limitações comerciais, suspensão de relações diplomáticas e sanções que permanecem, com variações, até hoje.

Nos últimos meses, a situação econômica e energética cubana tem se agravado. O governo dos Estados Unidos intensificou restrições ao fornecimento de combustível, o que, segundo autoridades cubanas, contribuiu para a escassez de energia e o aumento de apagões no país.

Dados recentes indicam que a crise energética tem afetado serviços públicos e o cotidiano da população. Hospitais, transporte e abastecimento foram impactados, em meio à dificuldade de acesso a combustíveis e insumos básicos.

Além disso, o governo cubano afirma que a redução no envio de petróleo por parceiros internacionais agravou a situação interna. Relatos apontam que a ilha enfrentou meses com fornecimento limitado de combustível, comprometendo a geração de energia elétrica e outras atividades essenciais.

Durante a audiência, participantes também destacaram iniciativas de solidariedade internacional. O deputado Maurici (PT) defendeu a mobilização para envio de doações, como alimentos, medicamentos e equipamentos de energia, ressaltando o caráter humanitário das ações.

O jornalista Fernando Morais, presente no evento, afirmou que as tensões entre Cuba e Estados Unidos têm efeitos contínuos no cotidiano da população cubana, abrangendo aspectos econômicos, diplomáticos e sociais.

Também participaram do encontro o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT), a vereadora paulistana Luna Zarattini, o ex-vereador Manoel Del Rio e o dirigente partidário Alcides Amazonas. O evento reuniu representantes políticos, diplomáticos e integrantes de movimentos sociais interessados no tema.

A audiência pública integra uma série de iniciativas que buscam ampliar o debate sobre a situação de Cuba no cenário internacional, com foco nas consequências das sanções econômicas e nas possibilidades de cooperação entre países.