Redução da pressão em 10 horas é mantida para preservar níveis

Medida busca preservar níveis diante da aproximação do período de estiagem

Por Por Redação

Cantareira ainda apresenta desempenho inferior ao esperado para esta época do ano

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) decidiu manter a redução da pressão no abastecimento de água durante o período noturno por 10 horas, das 19h às 5h, na Região Metropolitana de São Paulo. A medida faz parte da chamada Gestão de Demanda Noturna (GDN) e tem como objetivo preservar os níveis dos reservatórios e reforçar a segurança hídrica do sistema que abastece milhões de pessoas.

A decisão foi tomada nesta segunda-feira (9) pelo Conselho Diretor da Arsesp, com base em análises técnicas das condições hidrológicas do Sistema Integrado Metropolitano (SIM). A recomendação também contou com avaliação do Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica, formado pela própria Arsesp e pela SP Águas.

Segundo a agência reguladora, a manutenção da medida considera o cenário atual dos reservatórios e a proximidade do período de estiagem, quando historicamente ocorre maior pressão sobre os sistemas de abastecimento da Região Metropolitana. A estratégia busca evitar queda acentuada nos níveis de armazenamento e garantir maior estabilidade no fornecimento de água.

Apesar de uma recuperação recente no volume total armazenado, os estudos técnicos indicam que o Sistema Cantareira, responsável por aproximadamente 50% da disponibilidade de água do Sistema Integrado Metropolitano, ainda apresenta desempenho hidrológico inferior ao esperado para esta época do ano.

Dados da Arsesp mostram que, em fevereiro de 2026, o Cantareira registrava 35,8% do volume útil armazenado. O índice está entre os mais baixos da série histórica para o mês, o que acendeu um alerta entre os órgãos responsáveis pela gestão dos recursos hídricos no estado.

Atualmente, o Sistema Integrado Metropolitano apresenta reservação total de 50,75%. O governo estadual utiliza uma metodologia própria para acompanhar o cenário hídrico, que divide a situação dos reservatórios em sete faixas de atuação. Pelos níveis atuais, o sistema estaria enquadrado na chamada Faixa de Atuação 2, na qual a redução da pressão noturna poderia ser aplicada por até oito horas.

Mesmo assim, os órgãos responsáveis optaram por manter o período de 10 horas como medida preventiva. A avaliação técnica considera que o prolongamento da redução da pressão pode contribuir para preservar os reservatórios diante da incerteza sobre o comportamento das chuvas nos próximos meses.

A redução da pressão da água durante a noite foi iniciada em agosto do ano passado e tem sido utilizada como estratégia de gestão do consumo e combate ao desperdício. Ao diminuir a pressão nas redes durante períodos de menor demanda, o sistema reduz perdas causadas por vazamentos e melhora o controle do uso da água.

De acordo com balanço apresentado pela Arsesp, a medida já resultou em uma economia superior a 105 bilhões de litros de água desde sua implementação. O volume seria suficiente para abastecer, por cerca de 30 dias, cidades como São Paulo, Guarulhos, São Bernardo do Campo e Mauá.

As autoridades estaduais ressaltam que a medida não representa racionamento de água, mas sim uma estratégia preventiva de gestão do sistema de abastecimento. A expectativa é que o acompanhamento permanente das condições hidrológicas permita ajustes na política de redução de pressão conforme o comportamento dos reservatórios ao longo dos próximos meses.

Enquanto isso, a orientação dos órgãos responsáveis é para que a população mantenha hábitos de consumo consciente, evitando desperdícios e contribuindo para a preservação dos recursos hídricos do estado.

A Arsesp informou que o monitoramento das condições dos reservatórios continuará sendo realizado de forma permanente. Caso haja mudança no cenário, novas medidas poderão ser adotadas para garantir a segurança do abastecimento e preservar os níveis dos principais sistemas que atendem a região.